Uber explica por que não quer virar um ‘super-app’ de tudo
Se você usa o app da Uber só pra ir de um ponto A a um ponto B, tá perdendo metade da história. Numa entrevista recente ao TechCrunch, o chefe de produto da empresa, Sachin Kansal, mostrou que a Uber virou muito mais coisa por baixo do capô e explicou por que, mesmo assim, não quer ser um app pra absolutamente tudo.
Viagem é a nova aposta
Depois de corrida e entrega de comida, a Uber decidiu que o próximo passo natural é viagem. O motivo é simples: segundo Kansal, 1,5 bilhão de trajetos por ano na plataforma acontecem fora da cidade onde o usuário mora. Muita gente já usa o app enquanto está viajando, só faltava a Uber entrar de fato nesse pedaço.
É daí que vem a parceria com a Expedia pra reservar hotéis direto pelo app, com interface construída pela própria Uber. E não é coincidência que a comida entra na equação: a empresa notou que muita gente parou de pedir room service e passou a chamar o Uber Eats do quarto do hotel. Tem também barcos pra alugar na Europa e o recurso compre pra mim, que deixa você pedir de qualquer loja local, mesmo sem catálogo completo no Eats.
Cartão, créditos, mas sem parcelamento próprio
No lado financeiro, a Uber já tem o cartão Uber Pro, um débito pra motoristas e entregadores usarem os próprios ganhos. Em alguns mercados, a empresa começou a testar produtos parecidos pra lojistas. Pra quem usa o app como passageiro, existe o crédito Uber, ligado à assinatura Uber One: reservar hotel, por exemplo, devolve 10% em crédito sobre uma compra de mil dólares.
Um produto de parcelamento próprio, tipo um buy now, pay later da própria Uber? Kansal disse que não é prioridade agora. A lógica é deixar isso pra quem já é especialista no assunto e integrar essas empresas no checkout. Resumo da política de produto, na visão dele:
Não estamos tentando ser tudo para todo mundo.
O verdadeiro jogo é a corrida por dados de robotáxi
A parte mais interessante da conversa, pra quem acompanha carros autônomos, é a AV Labs. É uma unidade de negócios criada há seis meses, com frota própria de carros cheios de sensores, separada da rede normal de motoristas. A missão é coletar dados de direção em escala pra alimentar parceiros de robotáxi, parceiros nos quais, aliás, a Uber também tem participação.
O detalhe que ninguém fala em voz alta: a Uber compete direto com alguns desses mesmos parceiros, com a Waymo na linha de frente. Ter a camada de dados na mão dá à Uber uma carta na manga caso a relação com essas empresas mude de figura.
Uber One como motor de uso cruzado
Com 51 milhões de assinantes, o Uber One já responde por quase metade das reservas na plataforma. Segundo a empresa, quem usa só entrega começa a pedir corridas, e quem só pega corrida começa a pedir comida. O assinante paga a mensalidade e, com duas ou três compras no delivery, já compensa o valor. E antes que alguém pergunte: o Uber Eats já é lucrativo por conta própria há vários trimestres, sem precisar da corrida pra sustentar a conta.
- Hotéis via Expedia, com integração profunda e interface própria
- Recurso compre pra mim pra pedidos fora do catálogo do Eats
- Cartão Uber Pro pra motoristas e entregadores
- AV Labs coletando dados de direção pra parceiros de robotáxi
- Uber One com 51 milhões de assinantes puxando uso cruzado
