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Tecnologia

Testei o Vertu Alphafold, celular de US$ 6.880 com IA embutida

Enquanto a maioria das marcas de celular briga por câmera e desempenho, a Vertu resolveu vender outra coisa: status. A empresa britânica, conhecida por aparelhos que custam uma fortuna, lançou o Alphafold, um dobrável que parte de US$ 6.880 e tem como grande atrativo um agente de IA chamado Hermes, construído sobre o projeto open-source da Nous Research.

A ideia é simples de entender e difícil de engolir: em vez de responder perguntas soltas como qualquer assistente de celular faz, o Hermes promete tocar tarefas inteiras sozinho. Analisar contratos, mexer em planilhas, organizar viagem de trabalho, lembrar conversas anteriores e até passar a bola pra um atendente humano quando trava. Na prática, é vender o telefone como ferramenta de produtividade executiva, não como brinquedo tecnológico.

No quesito acabamento, o aparelho realmente entrega a fantasia de luxo. Traseira em couro de vitelo de verdade, detalhes em titânio e uma caixa que parece estojo de joalheria, com gavetas organizando os acessórios. Só que o peso trai a proposta: os 264 gramas do Alphafold pesam visivelmente mais que os 215 gramas do Galaxy Z Fold 7 da Samsung, usado como referência na comparação. A dobradiça curva facilita abrir o aparelho, mas fechado ele é bem menos confortável de segurar com uma mão do que o rival.

Aqui entra o ponto que muda a conversa. Por trás do couro chique, o hardware do Alphafold é praticamente idêntico ao do ZTE Nubia Fold, que custa US$ 1.100. Dobradiça, dimensões, posição dos alto-falantes, microfones e leitor de digital: tudo bate. E tem mais, informações do sistema mostraram identificadores da ZTE escondidos no software.

Questionada, a Vertu confirmou que o Alphafold nasce de uma parceria de cadeia de suprimentos com a plataforma de hardware da ZTE/Nubia, mas afirma ser responsável pelos materiais de luxo, pela experiência de software, pelo controle de qualidade e pelo pós-venda. A ZTE não respondeu ao pedido de comentário.

Isso não é novidade pra Vertu. Em 2023, a Wired já tinha flagrado o mesmo padrão no MetaVertu, apontando semelhanças com outro modelo da Nubia.

Dá pra discutir o hardware reaproveitado, mas o verdadeiro teste é outro: será que executivos pagam esse valor por um agente de IA que promete tocar o dia de trabalho sozinho? Nos testes, o uso saiu do modo demonstração e foi pra rotina real, com análise de planilhas e contratos, planejamento de viagem e automação de tarefas entre apps, comparando lado a lado com o Gemini no Galaxy Z Fold 7. As primeiras versões de software, porém, ainda travavam em coisas básicas como subir arquivos e analisar imagens.

Minha leitura: até aqui, o Alphafold vende bem a fantasia de exclusividade, mas a base é reciclada e o agente de IA ainda parece estar em fase de ajuste. Pagar US$ 6.880 por isso é aposta que só faz sentido se o software realmente entregar o que promete no dia a dia, não só na vitrine.

Fonte: https://techcrunch.com/2026/07/17/vertu-wants-executives-to-pay-6880-for-an-ai-agent-heres-how-it-actually-performs/

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