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Tecnologia

Startup de robôs humanoides ligada a Eric Trump mira uso militar

Startup de robôs humanoides ligada a Eric Trump mira uso militar

Enquanto boa parte das empresas de robótica humanoide fala em dobrar roupa ou ajudar em armazéns, a Foundation Future Industries escolheu outro caminho: o mercado de defesa. A startup americana, que tem Eric Trump como conselheiro estratégico e investidor, confirmou à Wired que já testa capacidades ofensivas em seus robôs.

O CEO Sankaet Pathak não deu detalhes técnicos, mas admitiu que a empresa avalia o que chamou de coisas cinéticas – na prática, sistemas de armas acoplados ao robô Phantom MK1. Segundo ele, uma apresentação pública deve sair nos próximos meses. Fora do campo de batalha, os robôs também serviriam para logística, reconhecimento e inspeção.

Por que isso interessa quem acompanha tecnologia

O interesse militar em humanoides não é novo. A Darpa financiou competições do tipo entre 2012 e 2015, e o Exército dos EUA mantém um programa dedicado a capacidades militarizadas para esse tipo de máquina. A guerra na Ucrânia se tornou um laboratório real para esses sistemas, e a própria Foundation diz já ter levado o Phantom MK1 a campo junto a forças ucranianas.

O que chama atenção é o modelo de negócio. A empresa já soma contratos com o governo americano na faixa de milhões de dólares, mas parte desse valor veio de aquisições anteriores, como a da Boardwalk Robotics, e não de negociações fechadas diretamente pela Foundation. O contrato de 24 milhões de dólares citado por Eric Trump em entrevista à Fox Business, por exemplo, parece incluir acordos herdados, não dinheiro novo conquistado pela empresa.

Quando você interage com esses robôs, eles batem na sua mão, seguem comando, isso vai mudar a indústria, vai mudar a aplicação militar, disse Eric Trump em entrevista à Fox Business.

Aqui entra o ponto prático: robô autônomo de combate ainda é papo de futuro. Especialistas ouvidos pela Wired, incluindo pesquisadores do Institute for Human and Machine Cognition, apontam que percepção, navegação em terreno irregular e manipulação física – como pegar uma arma – continuam sendo desafios sem solução definitiva. Rodney Brooks, professor emérito do MIT e referência em robótica, estima mais de uma década até um humanoide operar de forma confiável em ambientes complexos e desconhecidos.

Ou seja: o discurso de marketing corre na frente da engenharia disponível hoje. Isso não é exclusividade da Foundation, é padrão do setor de robôs humanoides, que costuma mostrar demonstrações editadas de tarefas autônomas enquanto a realidade em campo ainda depende de muita supervisão humana.

Para quem acompanha o setor, o caso funciona como termômetro: mostra como o mercado de defesa virou nicho lucrativo para startups de robótica, mas também expõe a distância entre demo de laboratório e soldado robô operando de fato numa zona de conflito.

Fonte: https://www.wired.com/story/humanoid-robot-soldier-eric-trump-foundation-future-industries/

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