Testei o Bee, o vestível de IA da Amazon, e tenho sentimentos mistos
Tive a chance de testar o Bee, aquele gadget de IA para o pulso que a Amazon comprou no ano passado e que, desde então, ganhou umas atualizações. A ideia, como em outros vestíveis de inteligência artificial, é ser seu assistente pessoal: ele grava, transcreve e resume suas conversas ao longo do dia. Pensa em ter um bloco de notas automático no seu pulso, ótimo para quem esquece as coisas ou só quer ser mais organizado.
Se você sincroniza com sua agenda, ele ainda te manda alertas e lembretes sobre o que precisa fazer. O funcionamento é simples: você liga, coloca no pulso, sincroniza com o app e coloca suas informações básicas. Tem um gravador embutido que você liga e desliga com um clique. Luz verde piscando? Gravando. Apagada? Não está. Depois de gravar, o app cria um resumo fácil de ler e a transcrição completa da conversa.
Aí que a coisa fica interessante. Para mim, que sou fã de privacidade, a ideia de andar com um aparelho que escuta tudo, 24 horas por dia, não é muito atraente. Num mundo onde a gente já é bombardeado por vigilância digital, qualquer chance de não ser gravado é ouro. Mas, mesmo com essa ressalva, tenho que admitir que, no contexto certo, o Bee pode ser um baita aliado para organizar a vida.
Onde o Bee brilha de verdade é no trabalho. Se seu dia é cheio de reuniões e você se perde nas informações, o Bee pode ser um assistente bem competente. Usei ele durante uma ligação de trabalho esta semana, depois de confirmar que podia gravar. O app me devolveu um resumo fiel da conversa, dividindo tudo em segmentos para eu revisar depois, sem precisar ouvir tudo de novo. Isso foi super útil, apesar de que outros serviços de transcrição, como Otter ou Granola, já fazem algo parecido.
Dá para imaginar um profissional que vive pulando de reunião em reunião se beneficiando muito disso. Você pode deixar o Bee ligado o dia todo e, depois, só revisar os resumos para tirar dúvidas. O Bee até que se vira bem nos resumos, mas as transcrições podem ser meio bagunçadas. Outras pessoas já notaram que você geralmente precisa colocar o nome dos outros participantes manualmente, porque o Bee nem sempre sabe quem está falando. Na minha experiência, ele também pulou algumas partes da conversa – nada grave, mas não foi um registro completo.
Levei o Bee para minha noite de cinema com amigos e deixei ele ligado. Vimos “Cães de Aluguel”, e fiquei com um certo receio de que o aparelho confundisse a violência do filme com algo real. Mas o Bee entendeu a situação. Ele percebeu que estávamos assistindo a um filme e, no resumo, classificou a conversa como “Análise de Cena de Filme do Tarantino”.
Embora o Bee mostre potencial como ferramenta profissional, eu não gostaria que ele me gravasse na minha vida pessoal. O engraçado é que ele tem sido muito vendido para uso pessoal. Para se sentir confortável com isso, você precisa estar ok com o Bee tendo acesso a boa parte da sua vida, tanto offline quanto digital. Para funcionar bem, ele pede um monte de permissões no celular: acesso à sua localização, fotos, contatos, agenda e notificações. Você pode até compartilhar seus dados de saúde, se quiser que ele saiba sobre seu sono ou batimentos cardíacos.
Todos esses dados que o Bee coleta ficam guardados na nuvem. Para quem se preocupa com privacidade digital, isso já é um ponto de atenção. A Bee chegou a mostrar para um YouTuber um protótipo que rodava tudo localmente. Se eles conseguissem lançar um aparelho assim, eu ficaria impressionada e até pensaria em comprar. Mas a Amazon não deu mais notícias sobre isso.
Sobre a privacidade digital, a empresa diz que usa criptografia para proteger os dados dos usuários, tanto parados quanto em trânsito. Na política de privacidade, eles afirmam ter “implementado medidas de segurança técnicas e organizacionais” para proteger as informações pessoais. A Bee também diz que passa por “auditorias de segurança rigorosas de terceiros” e monitoramento contínuo. Tudo isso soa bem, mas vale lembrar que a Amazon, como muitas gigantes da tecnologia, já teve seus probleminhas de segurança de dados.


