Baleias Beluga e o Teste do Espelho: Mais um na Lista Curta?
A autoconsciência é um tópico que sempre gerou discussões, especialmente quando tentamos medi-la em outras espécies. O famoso Teste do Espelho, proposto por Gordon Gallup em 1970, tem sido o padrão-ouro para isso. Basicamente, marca-se um animal em um local que ele só pode ver no espelho. Se ele interage com a marca ao se ver, a premissa é que ele se reconhece.
Agora, um novo estudo publicado na PLOS One traz as baleias beluga para essa lista seleta. Analisando horas de vídeo subaquático de um aquário de Nova York, pesquisadores observaram duas belugas, Natasha e Maris, realizando movimentos e interações que indicam reconhecimento. Elas esticavam o pescoço, giravam e balançavam a cabeça em frente a um espelho de duas vias, mostrando comportamentos que se alinham com o que se espera de um animal que passa no teste.
A lista de animais que supostamente passam no Teste do Espelho é bem curta e controversa. Inclui humanos (a partir dos dois anos), alguns grandes primatas como chimpanzés e bonobos, elefantes asiáticos, golfinhos, pegas e até um peixe bodião. Curiosamente, cães e gatos, que muitos consideram inteligentes, não passam. Isso levanta uma questão fundamental: o que o teste realmente nos diz?
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“O teste é intuitivo e fácil de realizar – e quase nenhuma espécie passa.”
O estudo com as belugas é interessante porque os dados são de filmagens de mais de vinte anos, revisitadas e digitalizadas. A pesquisadora sênior Diana Reiss mencionou que, embora esperassem mais estudos na época, não foi possível. A decisão de reanalisar o material veio da crescente pesquisa sobre a cognição das belugas.
No experimento original, as belugas foram marcadas com batom à prova d’água. É crucial notar que os animais só exibiram comportamentos de auto-reconhecimento após serem marcados de fato, e não em condições de controle sem pigmento. Uma das belugas, Natasha, chegou a pressionar a área marcada de seu corpo contra o espelho, um comportamento direto e significativo.
Apesar do tamanho pequeno da amostra, o que não é incomum para esse tipo de estudo, a questão permanece: o que Natasha e Maris fizeram realmente conta? Alguns dos comportamentos observados, como brincadeiras com bolhas ou giros, são conhecidos como formas de brincadeira solo das belugas, mesmo sem espelho. O aumento do tempo em frente à superfície reflexiva é sugestivo, mas não elimina a possibilidade de ser apenas uma nova estimulação. No entanto, o comportamento de Natasha de interagir diretamente com a marca é um ponto forte a favor da hipótese.


