Quarentena de Ebola: Quênia barra plano dos EUA de enviar cidadãos para lá
Olha só que situação: o governo dos EUA, em vez de trazer seus cidadãos expostos ao Ebola de volta para casa, onde teriam acesso a instalações de ponta já prontas para isso, teve uma ideia diferente. Eles queriam montar uma estrutura de quarentena no Quênia. Sim, você leu certo. A ideia era criar um local provisório para isolamento e tratamento lá, a uns 200 km de Nairóbi, onde os EUA já têm uma base aérea.
O plano inicial era ter uma instalação com 50 leitos para quarentena funcionando rapidinho, e depois, em uma segunda fase, unidades de isolamento mais robustas para quem já estivesse infectado. Mas, como era de se esperar, essa proposta não caiu muito bem. E, para a surpresa de ninguém, deu ruim.
Na quinta-feira, o Katiba Institute, um grupo que defende os direitos constitucionais dos quenianos, entrou com uma petição na justiça. Eles questionaram a legalidade e a ética de montar uma instalação de quarentena de Ebola no país sem transparência ou discussão pública. A coisa ficou séria e, na sexta-feira de manhã, um tribunal queniano deu o veredito: o plano foi barrado. A decisão citou uma “ameaça iminente à vida” e suspendeu tudo até que o caso seja totalmente analisado em junho.
O Katiba Institute destacou que essa decisão secreta e unilateral levantava sérias preocupações sobre os direitos à vida, saúde e participação pública. Eles queriam ver o plano de preparação do governo para evitar a disseminação do Ebola no Quênia, já que o vírus não está presente no país. Além disso, exigiram a divulgação de qualquer acordo entre o Quênia e os EUA sobre a instalação. Para eles, o cerne da questão é garantir a responsabilidade constitucional, proteger a saúde pública e assegurar que nenhum governo coloque a conveniência acima da vida e segurança do povo queniano.
É importante lembrar que os EUA já trataram 11 pacientes com Ebola em seu próprio território no passado, a maioria repatriada de surtos, e não houve transmissão secundária dentro do país. Teve um caso de um residente do Texas que voltou da Libéria com o vírus, e duas enfermeiras que o cuidaram acabaram contraindo a doença. Mas ambas foram tratadas nas instalações nacionais especializadas e sobreviveram. Ou seja, a capacidade existe.
Um médico-cientista, Daniel Bausch, que já trabalhou em vários surtos de Ebola, disse que a resposta do governo americano foi “chocante”, mas não surpreendente. Ele ressaltou que “ninguém se surpreende com o egoísmo máximo da política do governo dos EUA hoje em dia. Porque é uma coisa atrás da outra. Eles já se retiraram da OMS e já destruíram a USAID. Então, ninguém espera muito deles agora.”
Enquanto isso, a Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou números preocupantes: mais de mil casos de Ebola (confirmados e suspeitos) e centenas de mortes no surto atual. É um cenário delicado que exige responsabilidade e cooperação, não soluções que parecem mais um ‘empurra-empurra’ de problema.


