O foguete que a NASA precisa pode não chegar antes dos anos 2030
O New Glenn explodiu num teste estático em maio. Isso já era ruim por si só. Mas a conversa que a Ars Technica organizou esta semana com dois especialistas do setor mostrou que o problema vai bem além do hardware destruído.
Quatro lançamentos, zero data confirmada
Para a missão Artemis IV — que prevê pouso humano na Lua — a Blue Origin precisaria de quatro lançamentos de uma versão ainda mais potente do New Glenn, chamada de 9×4: nove motores no primeiro estágio, quatro no segundo. É um salto considerável em relação ao modelo 7×2 que virou destroços semanas atrás.
A empresa não anunciou nenhuma data oficial para o 9×4. Fontes do setor falam em final de 2027 ou começo de 2028. Só que Caleb Henry, diretor de pesquisa da Quilty Space, não viu nenhum otimismo realista nisso:
Nunca vi ninguém anunciar uma data para um foguete novo e realmente cumprir. Adicionar mais motores torna a coisa mais complexa, não menos. Aplico um fator 1,5 nessas estimativas — então estamos falando de pelo menos um ano e meio a mais.
Os anos 2030 já aparecem na conversa
Anthony Colangelo, do podcast Main Engine Cut Off, foi mais direto ainda: não o surpreenderia se o 9×4 escorregasse para a próxima década. Se isso acontecer, a janela desta década para levar astronautas à Lua fica dependente de uma única empresa.
Não vejo outra saída que não seja apostar tudo no Starship pelos próximos quatro ou cinco anos. A SpaceX já provou que consegue escalar cadência de lançamento rapidamente. A infraestrutura existe. Isso é um caminho mais crível do que ficar montando um quebra-cabeça de veículos diferentes tentando se encontrar em órbita.
O que isso muda na prática
Para quem acompanha o setor, o recado é claro: a redundância que a NASA planejou — ter tanto SpaceX quanto Blue Origin como fornecedores de lander lunar — pode virar, na prática, dependência total da Starship por um bom tempo.
- O New Glenn 9×4 ainda não tem data de estreia confirmada
- A complexidade da plataforma aumentou, não diminuiu, após as mudanças de arquitetura
- A destruição do Launch Complex 36A acrescenta outra camada de atraso à operação da Blue Origin
- A Starship já tem dois pads no Texas e prepara operações na Flórida
Não é o cenário que a NASA desenhou. Mas, dado onde as coisas estão agora, parece ser o mais realista.
