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Tecnologia

O advogado que derrotou Elon Musk duas vezes

O advogado que derrotou Elon Musk duas vezes

Elon Musk tem o hábito de litigar como se o tribunal fosse uma rede social. Funciona mal nos dois lugares, mas nos tribunais o custo é mensurável. Bill Savitt é parte da conta.

Savitt é sócio da Wachtell, Lipton, Rosen & Katz — escritório que não faz publicidade, não precisa. Seu nome circula nos corredores de M&A há décadas. A Lawdragon escreveu em 2015 que ler o Wall Street Journal era equivalente a acompanhar a agenda do advogado. Nada mudou, só a visibilidade aumentou.

O primeiro confronto com Musk veio quando o bilionário tentou cancelar o acordo de aquisição do Twitter em 2022, alegando problemas com dados de bots. Savitt representou a plataforma. Antes do caso ir a julgamento, Musk capitulou e concluiu a compra pelos US$ 44 bilhões originais — sem desconto. Vitória número um.

A segunda veio no caso Musk v. Altman, em que Musk processou Sam Altman e a OpenAI sob a tese de que a organização havia traído sua missão sem fins lucrativos. Savitt defendeu os réus. Durante o cross-examination, Musk reclamou que as perguntas eram "projetadas para me enganar" e que Savitt fazia "perguntas injustas". A resposta do advogado, com a cadência de quem explica divisão para uma criança: "Estou tentando fazer as perguntas da forma mais justa possível. Estou fazendo o meu melhor."

Musk não conseguiu lembrar, no cross, o que havia dito tranquilamente ao próprio advogado minutos antes — o que estabeleceu sua credibilidade como testemunha antes mesmo do fim do primeiro dia.

O método de Savitt não é intimidação. É o oposto: perguntas simples, tom baixo, ritmo controlado. O adversário se enrola na própria narrativa. No caso Musk, funcionou na primeira tentativa.

O histórico vai além de Musk. Savitt representou a Coinbase no processo movido pela SEC, defendeu a Sotheby’s em litígio sobre poison pill e esteve no lado vencedor em Corwin v. KKR Financial — referência em direito societário norte-americano.

  • Twitter vs. Musk (2022): Musk recuou antes do julgamento, pagou o preço cheio
  • Musk v. Altman (2026): Musk perdeu, caso encerrado
  • Coinbase vs. SEC, KKR, Sotheby’s: casos de alto perfil no portfólio

Savitt disse que não assumiu novos casos contra Musk ou suas empresas desde o término do julgamento. Mas admitiu que o escritório recebeu uma série de consultas após o veredicto. Quanto do pipeline vem do efeito Musk v. Altman? Difícil quantificar. O que se sabe: quando o homem mais rico do mundo vai a tribunal mal preparado, o advogado do outro lado não precisa de marketing.

Fonte: https://www.theverge.com/column/959270/elon-musk-open-ai-bill-savitt-twitter

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