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Inteligência Artificial

Zurique virou o hub de P&D que ninguém esperava — mas todo mundo escolhe

Zurique virou o hub de P&D que ninguém esperava — mas todo mundo escolhe

Tem uma cidade europeia de 400 mil habitantes que concentra mais laboratórios de IA por quilômetro quadrado do que qualquer outro lugar fora do Vale do Silício. Essa cidade é Zurique — e a lista de empresas que abriram operações de pesquisa lá lê como a aba de favoritos de qualquer pessoa que acompanha tech: Apple, Anthropic, Disney Research, Google, Meta, Microsoft, NVIDIA e OpenAI.

Não é coincidência. É o resultado de duas décadas de decisões que se retroalimentam.

Como começou

O Google foi o primeiro grande movimento: abriu em Zurique seu maior hub de P&D fora dos Estados Unidos. A partir daí, o efeito bola de neve foi ficando difícil de ignorar. Quando uma empresa top instala pesquisa num lugar, atrai talentos. Talentos atraem mais empresas. Empresas formam redes. Redes geram startups. É o ciclo clássico de ecossistema — só que acontecendo numa cidade que cabe dentro de São Paulo três vezes.

O que a Suíça entrega de concreto

  • Ranking de inovação: primeiro lugar no Global Innovation Index há mais de dez anos seguidos.
  • Patentes: líder mundial em patentes per capita.
  • Investimento em P&D: mais de 3,3% do PIB — acima da média europeia e americana.
  • Deep tech: 60% de todo o capital de risco suíço vai para deep tech, a maior proporção do mundo — quase o dobro de Alemanha, França e Reino Unido.
  • Per capita em deep tech: US$ 1.470 investidos por habitante, mais do que qualquer outro país europeu.

No começo deste ano, o google.org anunciou um grant de US$ 1 milhão para o Swiss National AI Institute, focado em pesquisa de IA para o bem público. Sinal de que o compromisso não é só de escritório.

A lógica de montar equipe aqui

Zurique não é barato. Salários e operação custam bem mais do que em Lisboa ou Varsóvia. Mas custam uma fração do que em San Francisco. E o ponto não é volume de contratação — é qualidade da equipe.

A ETH Zurique, uma das universidades técnicas mais bem ranqueadas da Europa, fica dentro do mesmo ecossistema. Engenheiros do Google ensinam lá. Formandos da ETH entram na Anthropic. Pesquisadores viram founders. Ex-funcionários de big techs abrem startups e ficam na região. O capital humano circula, mas raramente sai do ecossistema.

Para empresas construindo capacidades especializadas de IA, o objetivo é montar o time certo — não o maior time.

Próximo ponto de encontro

De 28 de setembro a 3 de outubro acontece o Zurich AI Festival, com mais de 6.500 participantes e mais de 35 eventos cobrindo IA aplicada a saúde, política, meio ambiente e artes. É termômetro direto de onde estão as conversas que vão virar produto nos próximos dois anos.

Para quem acompanha onde a pesquisa de IA está de fato acontecendo — não onde os comunicados de imprensa dizem que está — Zurique virou endereço obrigatório no mapa.

Fonte: https://www.technologyreview.com/2026/06/30/1139661/building-tech-in-the-worlds-secret-rd-hub/

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