Dinheiro da IA pode estar prestes a sair do bolso dos bilionários
Tem uma frase que fica martelando na cabeça quando você trabalha com tecnologia: quem ganha muito dinheiro rápido também precisa decidir o que fazer com ele. E foi mais ou menos isso que Neil Rimer, um dos fundadores da Index Ventures, jogou numa conversa recente em Atenas. Segundo ele, existe uma redistribuição da riqueza gerada pela IA se aproximando. A questão é se isso vai ser por escolha própria dos bilionários do setor ou por lei.
Rimer não é qualquer investidor. A Index já levantou algo perto de quinze bilhões de dólares desde que foi fundada, e só no ano passado embolsou cerca de nove bilhões com saídas como o IPO do Figma e a venda da Wiz para o Google. Ou seja, quando alguém desse calibre fala em redistribuição em público, o mercado presta atenção.
Doação em queda, apesar da riqueza em alta
Aqui entra o dado que mais chama atenção: o Giving Pledge, aquele compromisso criado por Warren Buffett e Bill Gates para bilionários doarem metade da fortuna, está perdendo força ano após ano. Em 2024, apenas quatro famílias assinaram. Compare com as mais de cem que aderiram nos primeiros cinco anos do programa.
E não é só entre super-ricos. A doação total nos Estados Unidos bateu recorde em 2024, quase 600 bilhões de dólares, mas o número de pessoas que doam vem caindo há cinco anos seguidos. Até entre famílias de alta renda, o percentual de quem doa recuou de 90% para 81% em poucos anos.
Esse padrão aparece dentro do próprio portfólio da Index, que inclui a Anthropic. A empresa até oferece um programa que iguala doações de funcionários em até 25% da participação acionária, mas segundo um planejador financeiro ouvido pela Business Insider, a maioria dos novos ricos ligados à IA está mais interessada em investir como anjo ou abrir a própria empresa do que em filantropia.
Vai ser voluntário ou vai ser involuntário, mas vai acontecer, e eu espero que seja voluntário.
Quando o Estado entra na conversa
Com a doação voluntária esfriando, a saída natural é a legislação. A Califórnia vai votar este ano em um imposto único de 5% sobre a riqueza dos bilionários do estado, e já tem gente se mudando para a Flórida por precaução, incluindo os fundadores do Google.
Do outro lado, a OpenAI estaria avaliando abrir capital em 2027 e também discutindo entregar 5% de participação ao governo americano, algo que Sam Altman descreve como dividir os ganhos da IA com o público. Críticos veem como jogada política para reduzir a pressão em Washington.
No fim, a pergunta que fica é simples: o dinheiro gerado pela corrida da IA vai voltar de alguma forma para fora do círculo de quem já é rico, ou vai continuar concentrado enquanto o resto do mercado só observa de fora?
Fonte: https://techcrunch.com/2026/07/17/neil-rimer-thinks-the-ai-money-is-coming-back-out/