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Tecnologia

Terras raras dos EUA: bilhões em subsídio, receita que vai pra Ásia

Terras raras dos EUA: bilhões em subsídio, receita que vai pra Ásia

Washington escreveu o cheque, mas o produto embarca para o Japão. Empresas como MP Materials, Energy Fuels e Phoenix Tailings acumulam bilhões de dólares em apoio do governo americano para furar o monopólio chinês de terras raras. Só que a demanda doméstica não apareceu na velocidade prometida, e boa parte da produção continua indo para compradores asiáticos.

O CEO da Phoenix Tailings, Nick Myers, resumiu o apetite do outro lado do Pacífico: clientes japoneses estão disputando os metais da empresa, turbinados pelo corte agressivo das exportações chinesas este ano. A frase que interessa ao mercado veio na sequência: se as grandes empresas de defesa americanas não se moverem rápido, ele vende tudo para quem paga mais, e isso tem sido a concorrência asiática.

MP Materials, a maior produtora americana do setor, ilustra o paradoxo. A maior parte da receita da divisão de óxido e metal de neodímio-praseodímio vem do acordo com a Sumitomo, que distribui o material para clientes japoneses. A empresa cortou vendas para a chinesa Shenghe Resources como parte do pacote fechado com o governo dos EUA, mas o vácuo foi preenchido por outro comprador estrangeiro, não pelo mercado interno. Contratos com GM e Apple para magnetos prontos existem, com entregas prometidas para a GM ainda este ano, mas por ora é promessa, não volume.

Energy Fuels seguiu o mesmo roteiro: recebeu 725 milhões de dólares em financiamento condicional do governo em junho e já avisou que vai mandar óxidos para a Coreia do Sul no curto prazo. A empresa também está comprando a australiana Strategic Materials, que tem planta de processamento coreana, e fechou um acordo de 1,9 bilhão de dólares pela alemã Vacuumschmelze, fabricante de magnetos.

Hoje só existem dois países que produzem magnetos de neodímio-ferro-boro em escala: Japão, que inventou a tecnologia, e China.

Essa frase, do consultor Thomas Kruemmer, explica o tamanho do buraco que os EUA tentam tapar com dinheiro público. Os números batem: Japão produz de 10 mil a 15 mil toneladas de magnetos por ano, Coreia do Sul entre 2 mil e 3 mil, e os EUA não passam de mil toneladas, segundo o consultor John Ormerod. É uma diferença de escala que subsídio não resolve da noite para o dia, e a vantagem japonesa remonta às patentes da Sumitomo nos anos 1980.

O detalhe que fecha a conta é o modelo de garantia do governo americano: preço mínimo assegurado, com o Tesouro cobrindo a diferença se o mercado pagar menos. Ou seja, o contribuinte americano bancou o risco, e o faturamento, por enquanto, segue fluindo para fábricas em Tóquio e Seul. Política industrial tem esse jeito de acertar o discurso antes de acertar o balanço.

Fonte: https://arstechnica.com/science/2026/07/us-rare-earths-flow-to-asia-as-domestic-demand-is-slow-to-emerge/

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