Satélites Russos na Cola de um ICEYE: O Que Isso Significa Lá em Cima?
A coisa ficou tensa lá em cima! Pelo menos quatro satélites militares russos fizeram umas manobras bem específicas na última semana. Eles ajustaram suas órbitas para ficarem na mesma ‘pista’ de um satélite de vigilância por radar, o ICEYE-X36, que é da empresa finlandesa-americana ICEYE. E a pergunta que não quer calar é: por que isso está acontecendo?
Essas mudanças não são aleatórias. Elas foram identificadas por dados de rastreamento orbital abertos, e quem revelou a história foi o Greg Gillinger, um ex-oficial de inteligência espacial da Força Aérea dos EUA. Ele publicou tudo na sua newsletter, a Integrity Flash. Os satélites russos em questão são os Kosmos 2610 a 2613, lançados em abril. Eles fizeram ajustes pequenos, mas que custam um bocado de combustível. Pensa bem: mudar a inclinação da órbita, mesmo que só um pouquinho, gasta uma energia equivalente a subir mais de 160 quilômetros de altitude. Não é pouca coisa!
O ponto é que, agora, esses satélites russos estão em posição de passar perto do ICEYE-X36 regularmente. E por que isso importa? O ICEYE-X36 faz parte de uma frota que fornece imagens de radar para o exército dos EUA e governos europeus. E, o mais importante, ele também ajuda a Ucrânia na guerra contra a Rússia. O CEO da ICEYE, Rafal Modrzewski, inclusive, se encontrou com o presidente ucraniano Volodymyr Zelenskyy no ano passado. Ou seja, não é um alvo qualquer.
Segundo o Gillinger, a distância entre os satélites russos e o ICEYE-X36 varia agora entre 500 metros e 22 quilômetros. Tudo isso acontece numa órbita polar, a uns 547 quilômetros de altitude. Isso significa que os operadores russos podem se aproximar ainda mais do satélite ICEYE com pequenos ajustes. E tem mais: um quinto satélite russo, do mesmo lançamento, parece estar fazendo movimentos parecidos para se aproximar também.
Co-planar ou ‘cosplay’ de ameaça?
A gente não sabe exatamente o que esses satélites Kosmos podem fazer. Pode ser que seja só a Rússia ‘mostrando os dentes’, como um oficial militar americano aposentado disse. A Rússia já tem um histórico de testar os limites, seja com bombardeiros perto do espaço aéreo americano ou com satélites militares que ‘seguem’ os satélites espiões dos EUA. Alguns até acreditam que alguns desses satélites russos fazem parte de um programa de armas antissatélite.
Recentemente, um satélite militar russo misterioso apareceu em órbita geoestacionária, a mais de 35 mil quilômetros da Terra, e a Força Espacial dos EUA mandou um de seus satélites de inspeção para dar uma olhada. É um jogo de gato e rato que está se estendendo para o espaço.
É importante notar que mirar em um único satélite, como o ICEYE-X36, não impediria totalmente a Ucrânia ou outras nações de ter acesso a imagens de radar. A ICEYE tem dezenas de outros satélites. E, diferente dos satélites espiões ópticos, os radares funcionam de dia e de noite, com ou sem nuvens. Mas as manobras russas para igualar a órbita do ICEYE-X36 parecem bem intencionais. A Rússia já fez operações parecidas para ficar em órbitas ‘co-planares’ com satélites espiões americanos antes. O espaço está virando um novo palco para essas tensões, e a gente precisa ficar de olho.


