Quatro reatores nucleares pequenos passam pelo primeiro teste real nos EUA
Tem prazo que empresa de tecnologia estabelece pra si mesma e tem prazo que vem do governo. No caso dos microrreatores nucleares nos EUA, foi a segunda opção, e olha que curioso: quatro empresas bateram a meta praticamente no fio da navalha.
A ideia era simples de entender mesmo sem ser engenheiro nuclear: o governo pediu que pelo menos três microrreatores atingissem a chamada criticidade até o aniversário de 250 anos dos EUA. Criticidade é o momento em que o reator consegue sustentar uma reação em cadeia por conta própria. Não é pouca coisa, mas também não é o mesmo que ligar a energia na sua casa.
Quem chegou lá
A Antares Nuclear abriu a corrida em junho, com o reator de teste Mark-0. Na sequência vieram Valar Atomics, Deployable Energy e, quase batendo na trave, a Aalo Atomics, que confirmou o feito nas primeiras horas do dia 4 de julho. Empresa que cumpre prazo assim, literalmente de véspera, já ganha meu respeito só pela pressão que isso exige.
Todas fazem parte de um programa piloto do Departamento de Energia dos EUA que selecionou 11 projetos de reatores no ano passado, oferecendo terreno e suporte de laboratórios nacionais. São reatores pequenos, dezenas ou até centenas de vezes menores que as usinas nucleares tradicionais que hoje abastecem a rede elétrica.
O que isso significa na prática
Aqui entra o ponto que costuma passar batido nas manchetes: o teste que essas empresas passaram foi de criticidade de potência zero. Ou seja, provaram que conseguem iniciar a reação em cadeia, mas sem tirar energia real disso. Uma especialista ouvida no podcast Catalyst foi direta: esse tipo de teste pode ser cumprido sem avanço real em combustível ou projeto do reator.
Na prática, o próximo capítulo é o mais difícil: instalar sistemas de resfriamento, transferir o calor do núcleo e, só então, gerar eletricidade de verdade. A Aalo já fala em produzir 10 megawatts até 2027 pra abastecer um data center próprio. A Deployable promete reatores comerciais até 2028. São metas ambiciosas, e prazo de startup em setor nuclear é sempre bom guardar com uma pitada de desconfiança.
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- Nem todo defensor da energia nuclear está batendo palma: o think tank Third Way chamou o foco em microrreatores de distração que não resolve o problema maior de aumentar a capacidade nuclear do país
Acelerar prazos artificialmente é solução de curto prazo, não conserto definitivo, segundo o memo do Third Way.
Criticidade é um primeiro passo real e simbólico. Mas entre provar que o reator liga e ele virar fonte relevante de energia pra rede elétrica tem uma distância grande, e é essa distância que vai definir se a promessa da energia nuclear pequena sai do papel.
Fonte: https://www.technologyreview.com/2026/07/09/1140235/nuclear-reactor-milestone-criticality/
