Planeta gigante sobrevive à morte da estrela e intriga cientistas
Tem descoberta espacial que parece ficção científica, e essa é uma delas. Existe um planeta gigante, do tamanho de Júpiter, girando em torno dos restos mortos de uma estrela — e ninguém sabe explicar como ele sobreviveu ao processo. Agora o telescópio James Webb deu uma primeira olhada de perto nesse sistema, e o resultado só deixou tudo mais estranho.
O planeta se chama WD 1856 b e é o único caso confirmado de um mundo que resistiu à morte de uma estrela parecida com o Sol. Ele orbita uma anã branca, que é basicamente o núcleo queimado que sobra depois que uma estrela passa pela fase de gigante vermelha e engole tudo que está por perto. A descoberta foi meio acidental: em 2020, astrônomos usando o observatório TESS estavam de olho em cerca de 2 mil anãs brancas procurando cometas ou asteroides passando na frente delas. Encontraram um planeta gigante no lugar.
Um trânsito que não fazia sentido
A anã branca é sete vezes menor que o planeta que gira em volta dela, então a lógica dizia que o brilho da estrela devia quase zerar a cada passagem do planeta na frente. Só que ele cai pela metade. Christopher O’Connor, astrofísico da Cornell e coautor do estudo publicado na Nature, explica que isso só se encaixa se estivermos vendo um trânsito de raspão, com apenas a borda do planeta cruzando o disco da estrela.
Tem mais um detalhe fora do padrão: o planeta orbita a uma distância de 0,02 UA da estrela, bem mais perto do que a teoria prevê. Quando uma estrela perde massa ao se tornar anã branca, sua gravidade fica mais fraca e os planetas mais externos deveriam se afastar, não se aproximar.
Oito minutos que mudaram a conta
Para investigar, a equipe reservou um tempo de observação no James Webb e capturou um único trânsito, em 27 de abril de 2023, com duração de apenas oito minutos. Como o ângulo de visão era atípico, os cientistas tiveram que criar novas equações e adaptar o software POSEIDON, desenvolvido por Ryan MacDonald, autor principal do estudo, para lidar com essa geometria de trânsito de raspão.
O resultado da atmosfera surpreendeu todo mundo. O planeta está envolto em névoas de aerossol, tem metano na atmosfera e está emitindo cerca de 25 vezes mais energia do que recebe da estrela — mesmo com a estrela morta há uns 6 bilhões de anos. A expectativa era uma temperatura entre 150 e 200 Kelvin, parecida com o topo das nuvens de Júpiter. Na prática, o planeta está em torno de 400 Kelvin.
Seja o que for que está fazendo esse planeta brilhar, precisa ser calor gerado internamente, e não apenas energia reemitida da estrela, diz O’Connor.
Como esse calor não pode ser resquício da formação do planeta, a equipe está trabalhando com dois cenários possíveis para explicar como ele chegou tão perto da estrela morta: um onde ele já estava próximo e sobreviveu sendo engolido pela gigante vermelha, e outro onde ele migrou de uma órbita mais distante. A ciência ainda não fechou essa conta, mas o caso já é motivo de disputa entre astrofísicos teóricos.
Fonte: https://arstechnica.com/science/2026/07/a-jupiter-size-planet-that-escaped-its-stars-death/
