Empresas de tecnologia climática focam em minerais essenciais para sobreviver
Sabe aquela história de que a gente precisa se adaptar ou fica para trás? Pois é, no mundo da tecnologia climática, essa máxima nunca foi tão real. Com o apoio a causas ambientais em baixa em alguns lugares, as empresas do setor estão encontrando jeitos criativos de não só sobreviver, mas de prosperar. E o foco agora? Minerais críticos.
De repente, parece que todo mundo tem uma história sobre data centers, energia em abundância ou, claro, os tais minerais críticos. A Boston Metal, por exemplo, que a gente conhecia pelos esforços para fazer aço mais limpo, acabou de levantar uma grana boa – 75 milhões de dólares – para investir no seu braço de metais essenciais. Eles estão de olho em coisas como nióbio e tântalo, usados em motores de avião e ligas de aço de alta qualidade, além de cromo e vanádio.
Olha só, produzir esses metais talvez não tenha o mesmo impacto climático gigante que um aço super limpo teria. Mas, quer saber? Isso pode gerar a receita que a empresa precisa para continuar de pé. É uma estratégia que tenho visto mais e mais. Indústrias como a do aço, que já são um desafio por si só, ficam ainda mais complicadas sem o apoio governamental. A tecnologia da Boston Metal, que usa eletricidade para produzir metais, é super interessante, e essa mudança de foco pode ser a cartada para seguir em frente.
O CEO da Boston Metal, Tadeu Carneiro, resumiu bem:
“Ao atuar na indústria de metais críticos, onde podemos avançar muito rápido, geramos os recursos para continuar com o desenvolvimento do aço.”
Faz sentido, né? É um jeito de garantir o fôlego enquanto o objetivo maior não se concretiza.
E não é só a Boston Metal. A Brimstone, lá da Califórnia, também está nessa. Eles têm um método novo para fazer cimento, que é outra indústria que polui bastante e é difícil de descarbonizar. A ideia é usar um material diferente para reduzir as emissões de carbono. Além do cimento, eles produzem materiais que podem ser adicionados ao concreto e também alumina de grau metalúrgico.
No ano passado, o Departamento de Energia dos EUA cancelou um financiamento de 1,3 bilhão de dólares para projetos de cimento. A Brimstone teve um de seus prêmios cancelados, assim como outras startups do setor. Na época, eles disseram que era um “mal-entendido” e que a instalação financiaria não só cimento, mas também alumina, que é importante para a produção de alumínio nos EUA. Hoje, se você olhar o site deles, a produção de minerais críticos está lá, em destaque, junto com o cimento.
Até empresas de remoção de dióxido de carbono estão de olho nessa onda dos minerais críticos, buscando parcerias com a indústria de mineração. Algumas oferecem soluções para tornar as operações de mineração mais eficientes, ou até para limpar áreas de minas ativas ou abandonadas.
Tudo isso faz parte de uma mudança maior na forma como o assunto é abordado. Políticos e líderes de empresas de energia estão falando menos sobre o clima. É uma tendência que me deixa um pouco apreensiva, mesmo entendendo o porquê. Meu receio é que, se a gente ficar muito quieto sobre o clima, as empresas acabem perdendo o foco e tomem decisões que não ajudem a reduzir as emissões. Mas, para algumas, essa mudança de prioridade ou de mensagem pode ser o que as mantém no jogo tempo suficiente para fazer a diferença. Vamos ter que esperar para ver como tudo se desenrola.
Fonte: https://www.technologyreview.com/2026/05/21/1137622/climate-tech-pivot-critical-minerals/


