Como o clube secreto de Peter Thiel classifica seus membros
Um conjunto de arquivos internos vazou e revelou como o Dialog – clube fechado criado por Peter Thiel e o corretor de dados Auren Hoffman – pontua quem entra nas suas mesas. O objetivo? Usar números para decidir quem senta onde, quem recebe convite para os retiros e quem pode ser excluído.
Como funciona a pontuação
Os registros cobrem quase 200 pessoas que deveriam comparecer ao retiro anual deste verão. Cada nome tem um dossiê com endereço, telefone, alergias, inclinações políticas e, claro, duas notas principais: riqueza e fama. A partir daí, um algoritmo atribui uma letra – A, B ou C – que determina a “classe” do participante.
- C é reservado aos mais famosos e influentes; apenas um em cada sete recebeu.
- B cobre a maioria, 141 dos 192 perfis analisados.
- A costuma ser dado a membros mais antigos, menos notórios.
O critério de “fama” vai além de números de seguidores. O algoritmo checa se a pessoa é reconhecida pelo “público médio”, se já apareceu em um Fortune 500 ou se tem um papel de destaque em cultura pop. Por exemplo, o ator Josh Brolin foi rotulado VIP por causa do sucesso de Avengers: Endgame e seus 3,4 milhões de seguidores no Instagram.
Quando a IA erra
Nem sempre o algoritmo tem a palavra final. O economista Tyler Cowen foi inicialmente rebaixado porque, embora seja muito respeitado na academia, não lidera uma empresa “conhecida pelo público”. O staff do Dialog acabou revertendo a decisão, mostrando que humanos ainda interferem nas notas.
Além da fama, a riqueza aparece como justificativa direta. Um investidor foi anotado como “$30 bilhões sob gestão”, enquanto outro recebeu a breve avaliação “Small AUM”. Em alguns casos, a nota servia apenas para garantir que alguém não fosse colocado ao lado de um “C”.
O que isso significa para os membros
Essas classificações orientam tudo: quem compartilha jantar, quem participa de trilhas globais e quem tem acesso a serviços de concierge. O clube, que conta com mais de mil membros pagantes e 2 500 participantes em retiros, usa esses dados para manter um ecossistema de elite, mas com regras bem definidas por trás dos bastidores.
Embora o Dialog se descreva como “comunidade por convite”, a filtragem interna mostra que a exclusividade é medida em números e algoritmos, não só em convites. O vazamento levanta questões sobre privacidade e sobre até que ponto a tecnologia pode – ou deve – classificar pessoas em ambientes de networking.
Fonte: https://www.wired.com/story/how-peter-thiels-private-dialog-club-secretly-ranks-its-members/
