Rodízio de streaming: brasileiros trocam de plataforma como trocam de roupa
Sabe aquela história de ter um monte de streaming e pagar por tudo? Então, parece que essa moda está com os dias contados. O brasileiro, que é esperto, descobriu o ‘rodízio de assinaturas’. E o que é isso? Basicamente, a gente assina um serviço para ver aquela série que todo mundo está falando, maratona, e depois cancela pra ir pro próximo. Tipo um ‘usa e joga fora’, mas com inteligência financeira.
Por que a gente não se ‘casa’ com um streaming?
O professor Thiago Muniz, da FGV, que manja muito de marketing digital, explicou bem: a gente não escolhe um streaming pra ficar. A gente escolhe o que assistir agora. E depois ajusta de novo. Faz todo o sentido, né? Com a facilidade de cancelar tudo online, sem aquela burocracia chata da TV a cabo antiga, ficou moleza mudar. Lançou uma série nova que você quer ver? Assina. Acabou? Tchau, obrigado. E vai pro próximo.
A fidelidade, segundo ele, é baixa. Não somos fiéis à plataforma, mas sim ao conteúdo que queremos ver naquele momento. E tem mais: o tal do FOMO (fear of missing out), aquele medo de ficar de fora da conversa. Se todo mundo está vendo ‘X’, a gente se sente na obrigação de ver também, nem que seja por um mês. É a pressão social batendo na porta da sua carteira.
A briga pelas ‘vagas’ no seu orçamento
Com tanta opção por aí, e a grana apertada, a gente não quer (nem consegue) pagar por tudo. A maioria das pessoas está se limitando a duas ou três assinaturas principais. E aí a pergunta que fica é: ‘Será que esse streaming merece uma das minhas poucas vagas mensais?’
Nessa disputa, quem se dá bem são os gigantes. Eles têm catálogo internacional, franquias que a gente ama e, em alguns casos, até ecossistemas completos, tipo o Prime Video. Eles entregam mais variedade e novidade constante, o que é um baita atrativo.
Outra coisa que mostra essa racionalização é que quase metade dos brasileiros (50%, segundo a Comscore) prefere planos com publicidade, só pra pagar menos. A Ingrid Veronesi, da Comscore, disse que a gente busca uma combinação de plataformas que se encaixe nos diferentes momentos do dia e, claro, no nosso bolso.
Gigantes globais ainda dominam, mas a briga é boa
Mesmo com todo esse ‘rodízio’, o mercado brasileiro de streaming ainda é dominado pelas empresas internacionais. O Prime Video está na frente, seguido de perto pela Netflix e Disney+. O Globoplay, que é nosso, teve uma queda, mas parece que está se recuperando, apostando forte em eventos ao vivo e esportes. A Apple TV+, por sua vez, já tem o Brasil como seu segundo maior mercado de assinantes, atrás só dos EUA, o que é impressionante.
A Netflix, essa gigante, investiu uma fortuna em filmes e séries nos últimos dez anos e gerou muita grana e empregos. Mas está numa fase de transição, buscando novas formas de crescer, como jogos e entretenimento ao vivo, enquanto enfrenta um crescimento mais lento. O cofundador, Reed Hastings, até deixou a empresa recentemente, mostrando que o momento é de mudança.
É um cenário que muda o tempo todo, e a gente, como usuário, está no controle. Escolhemos o que, quando e por quanto tempo queremos ver. E isso, pra mim, é o melhor dos mundos.


