Por que medir demais pode nos deixar mais perdidos
Comecei a registrar tudo em 2011, primeiro com um pedômetro barato que contava passos. A ideia era simples: números claros para me empurrar a sair do sofá, respirar ar fresco e, quem sabe, ter ideias mais inteligentes.
Do primeiro passo ao maratona de métricas
Em poucas semanas a meta de 6 mil passos virou 10 mil, depois 15 mil e, finalmente, 20 mil por dia. Não demorou muito para trocar o clip‑on por um smartwatch, depois por anéis que medem sono e apps que contabilizam macro‑nutrientes. Cada novo gadget prometia mais insight.
Quando o número deixa de servir
O problema apareceu quando percebi que, apesar de todos os gráficos, não sabia nada de novo sobre mim. O ritmo cardíaco, as calorias ativas, o tempo de sono… tudo registrado, mas nada que mudasse a forma como eu me sentia ou agia.
O mesmo aconteceu no trabalho. Ferramentas de analytics mostravam visualizações, cliques e engajamento, mas não explicavam se eu estava realmente entregando valor ou se minhas histórias estavam conectando com as pessoas.
O que a filosofia dos jogos nos ensina
Um filósofo de jogos alerta que métricas externas nunca capturam o que realmente importa. Elas podem iluminar padrões, mas também podem distorcer prioridades, fazendo a gente perseguir o que é mensurável em vez do que é significativo.
Em vez de buscar mais números, o que realmente ajuda é parar e refletir sobre o que esses dados representam – ou, melhor ainda, questionar se precisamos deles.
“A menos que algo possa ser medido, não pode ser melhorado”, escreveu Kevin Kelly em 2007. Hoje, com IA e dispositivos onipresentes, essa frase soa mais como um convite ao exagero do que a uma verdade absoluta.
O recado? Use métricas como ferramentas, não como bússolas. Elas podem apontar direções, mas a escolha do caminho ainda cabe a nós.