Mosseri diz que quem odeia IA no Instagram tem solução simples
Imagina um restaurante que não proíbe nenhum ingrediente, só coloca uma etiqueta dizendo o que tem dentro do prato. É mais ou menos essa a filosofia que Adam Mosseri, chefe do Instagram, defendeu numa conversa recente no podcast de Lenny Rachitsky. Para ele, filtrar conteúdo gerado por inteligência artificial não é o caminho. O que a plataforma precisa fazer é avisar quando aquele post saiu de um modelo generativo.
A frase que resume o raciocínio dele é direta: quem não gosta de IA no feed, simplesmente não deveria ter IA no feed. Só que, na prática, isso significa deixar a escolha na mão de quem consome, não bloquear o conteúdo na origem. Mosseri chega a dizer que quem ama esse tipo de criação deveria poder ter uma timeline inteira dedicada a isso, como um canal só de IA.
Rotular é fácil, detectar é o problema
Aqui entra o ponto mais interessante da entrevista. Mosseri reconhece que identificar conteúdo sintético é tarefa complicada, e que essa dificuldade só vai aumentar conforme os modelos generativos ficam mais sofisticados. É como tentar diferenciar uma pintura a óleo de uma reprodução perfeita: quanto melhor a técnica, mais a etiqueta perde precisão.
Por isso ele sugere uma inversão de lógica. Em vez de tentar carimbar tudo que é IA, talvez faça mais sentido certificar o que é genuinamente humano, o famoso conteúdo capturado por câmera. Essa ideia já tinha aparecido em declarações anteriores dele sobre uma espécie de “impressão digital” para mídia real, lá em dezembro de 2025.
Instagram, TikTok, YouTube e Facebook rotulam conteúdo de IA, mas nenhuma dessas plataformas oferece um filtro para remover esse tipo de post do feed.
Enquanto discute rótulos, o Instagram segue empurrando o acelerador da própria tecnologia. A Meta lançou o Muse Spark, gerador de imagens que permite inserir outras pessoas em criações de IA apenas marcando o perfil delas. E é justamente aí que surge o contraponto mais delicado da história.
O outro lado da moeda
Haley McNamara, diretora executiva do National Center on Sexual Exploitation, alertou que esse recurso de marcação abre portas óbvias para exploração, abuso sexual, assédio e fraude de identidade. É o tipo de risco que nasce exatamente da facilidade que a Meta tanto celebra: quanto mais simples é colocar alguém numa cena gerada por IA, maior a chance de uso malicioso sem consentimento.
Mosseri admite que a plataforma ainda precisa descobrir como conter o excesso de conteúdo de IA de baixa qualidade, o famoso spam sintético. Mas a estratégia continua sendo transparência em vez de bloqueio, apostando que rótulos bem feitos resolvem mais do que uma tesoura de moderação.
Fonte: https://www.theverge.com/tech/963961/instagram-adam-mosseri-ai-feed-filters