IPO da SpaceX: Musk lucra, investidor varejo arca com o risco
A tão falada abertura de capital da SpaceX está no horizonte, e os números preliminares já indicam um espetáculo de valuation. Rumores apontam para uma avaliação superior a um trilhão de dólares, uma cifra que desafia a lógica financeira quando confrontada com os quase cinco bilhões de dólares em prejuízos registrados no ano anterior. O documento S-1, que precede a oferta, projeta um mercado endereçável total (TAM) de 28,5 trilhões de dólares. Para contextualizar, o Produto Interno Bruto dos EUA mal ultrapassa os 24 trilhões de dólares. É uma projeção ambiciosa, para dizer o mínimo.
A lógica do ‘meme stock’
O mercado já viu essa peça antes. A Tesla, outra empreitada de Musk, negocia a múltiplos de lucro que superam em muito concorrentes estabelecidos como Ford e Toyota, e até mesmo a Nvidia, uma empresa que, de fato, gera lucros substanciais. A Tesla é um ‘meme stock’, e a SpaceX parece seguir o mesmo roteiro. Não importa que seja uma empresa aeroespacial, de inteligência artificial e, de alguma forma, uma rede social; a racionalidade financeira é secundária.
Musk, com sua narrativa messiânica de ‘estender a luz da consciência às estrelas’, repete o mantra sete vezes no S-1. Há até uma ilustração de ‘Vida em Marte’ com figuras poligonais. É o tipo de retórica que lembra a bolha da WeWork, mas com ambições interplanetárias. A diferença é que a SpaceX, com seu apelo de culto, pode ter um impacto ainda maior.
O investidor varejo como ‘bagholder’
Trinta por cento da oferta pública inicial (IPO) da SpaceX é reservada para investidores de varejo. Isso não é um ato de generosidade, mas uma estratégia calculada. Musk sabe que sua base de fãs, os ‘cultistas perdedores’, comprarão qualquer coisa que ele esteja vendendo. A dinâmica é clara: os ‘adultos’ do mercado podem entrar no IPO, apostando que a euforia do varejo e as mudanças nas regras da Nasdaq impulsionarão o preço, independentemente do valor intrínseco. É o clássico ‘Keynesian beauty contest’, onde o objetivo não é escolher o mais bonito, mas sim o que a maioria pensa que é o mais bonito.
No fim das contas, a SpaceX pode ser um excelente negócio para Elon Musk e seus primeiros investidores. Para o investidor de varejo, contudo, o risco de se tornar um ‘bagholder’ – aquele que fica com as ações quando a bolha estoura – é considerável. Os múltiplos e o runway da empresa sugerem que a aposta é alta, e o retorno, incerto.
Fonte: https://www.theverge.com/ai-artificial-intelligence/940001/elon-musk-spacex-ipo-ai


