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Inteligência Artificial

IA tenta derrubar político, mas o torna famoso

IA tenta derrubar político, mas o torna famoso

Sabe aquela história de que ‘falem bem, falem mal, mas falem de mim’? Parece que as gigantes da inteligência artificial Anthropic e OpenAI aprenderam isso da forma mais cara possível. Elas investiram uma grana preta numa briga política sobre quem vai ditar as regras da IA, mas o tiro saiu pela culatra e quem se deu bem foi um político que elas queriam derrubar.

Estou falando do Alex Bores, um deputado estadual de Nova York que, até pouco tempo, era um nome pouco conhecido. Ele teve a audácia de propor uma das primeiras leis para regulamentar a IA no país. E isso, claro, não agradou a todo mundo. Um super PAC chamado ‘Leading the Future’, bancado por gente graúda da OpenAI, Palantir e a16z, começou a despejar milhões para minar a campanha dele.

O objetivo? Acabar com a candidatura de Bores ao Congresso, numa vaga que estava para ser desocupada. Eles queriam que ele sumisse do mapa político. Mas o que aconteceu foi o oposto: Bores virou um dos favoritos na corrida, e a revista New York Magazine até o chamou de ‘o rosto de Manhattan’ numa matéria de capa. É o famoso ‘efeito Streisand’ em ação, onde a tentativa de esconder algo só faz com que mais gente descubra.

E o mais impressionante é que ele conseguiu isso sem gastar rios de dinheiro em publicidade. A equipe de Bores contou que só começou a veicular anúncios em Nova York em maio, meses depois dele entrar na disputa e poucas semanas antes das urnas fecharem. Enquanto isso, o ‘Leading the Future’ já estava atacando Bores desde dezembro do ano anterior, com um gasto estimado em 2.4 milhões de dólares.

Em um cenário normal, um super PAC com apoio de bilionários e empresas, que pode gastar sem limites (desde que não coordene com a campanha), conseguiria aniquilar qualquer alvo. Eles já tinham feito isso com sucesso em outras eleições. O mercado de mídia em Nova York é caríssimo, e conseguir qualquer tempo de tela é uma vitória. Mas com Bores, foi diferente.

Quando Bores entrou na disputa em outubro, ele estava competindo com outros candidatos que tinham mais reconhecimento e bolsos mais cheios. Tinha gente com apoio de máquinas políticas tradicionais, influenciadores e até o neto de um ex-presidente. Ninguém esperava que Bores, um ex-funcionário da Palantir que virou servidor público, se destacasse.

“Para ser honesta, [Bores] não era exatamente uma figura conhecida antes de se tornar um alvo dessas empresas de IA”, disse Lis Smith, uma estrategista política de Nova York.

Essa história mostra que, às vezes, a melhor publicidade é a que você não paga. E que, no mundo da política e da tecnologia, as coisas podem virar de cabeça para baixo num piscar de olhos. A IA tentou calar, mas acabou dando voz a um candidato que, agora, todo mundo conhece.

Fonte: https://www.theverge.com/policy/937650/ai-alex-bores-openai-anthropic-ny12

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