Olha que coisa interessante: o Google acabou de revelar que, em apenas um mês, corrigiu mais brechas de segurança no Chrome do que em dois anos inteiros de atualizações anteriores. É como se um mecânico que trocava uma peça defeituosa por semana, de repente, passasse a revisar o carro inteiro peça por peça em poucos dias — só que aqui o carro é o navegador mais usado do planeta.
O salto que os números mostram
Segundo a empresa, as duas versões lançadas em junho, batizadas de milestones 149 e 150, somaram 1.072 correções de segurança. Para comparar, as 23 versões liberadas ao longo dos últimos dois anos, desde a versão 126, lançada em junho de 2024, somaram 1.036 ajustes juntas. Um único ciclo mensal superou dois anos de trabalho manual de detecção de falhas.
Doug Turner, diretor de engenharia do Chrome, resume o momento dizendo que modelos como o Gemini mudaram a economia da segurança digital, transformando a caça a vulnerabilidades em algo parecido com uma linha de produção industrial. Antes, cada bug era um caso isolado, investigado manualmente; agora, o sistema varre o código em escala e aponta pontos fracos antes que alguém mal-intencionado chegue lá primeiro.
Um padrão que já apareceu em outro lugar
Essa curva ascendente não é exclusividade do Chrome. Algo parecido aconteceu quando a Microsoft, semanas atrás, anunciou ter corrigido 570 falhas no tradicional Patch Tuesday, um recorde histórico para o ciclo mensal de atualizações da empresa. Assim como o Google, a Microsoft credita boa parte desse avanço ao uso de IA para vasculhar código automaticamente.
Especialistas em segurança já alertavam, desde os primeiros LLMs, que ferramentas de IA encontrariam bugs em ritmo exponencial, e que os defensores precisariam usar as mesmas armas para não ficar atrás.
É basicamente essa previsão se cumprindo, só que agora com dados concretos em mãos.
A Apple é a exceção que chama atenção
Curiosamente, a Apple não parece surfar essa mesma onda. Um levantamento independente aponta 482 correções de segurança em produtos da empresa neste ano, ritmo parecido com o de 2015 e também parecido com o total do ano passado, sem sinal do salto exponencial visto no Chrome e no Windows. A TechCrunch procurou a Apple para comentar o dado, mas não obteve resposta até a publicação.
Fica a pergunta que mais me deixa curiosa aqui: será que a Apple ainda não aplicou IA nesse processo de descoberta de falhas na mesma escala, ou o próprio jeito como a empresa constrói seu código já naturalmente gera menos brechas para caçar? De qualquer forma, o contraste é um bom indicador de que a corrida da IA aplicada à segurança está só começando, e nem todo mundo está correndo na mesma velocidade.