Governo britânico quer usar IA para estimar idade de requerentes de asilo, mas a
O Reino Unido está preparando um novo procedimento na fronteira: escanear o rosto de quem chega como requerente de asilo e usar IA para adivinhar a idade. A ideia é simples – se a pessoa for menor, tem direito a proteções diferentes. Mas a tecnologia ainda tropeça.
O que os testes mostraram
Um relatório interno obtido por Wired e Lighthouse Reports analisou sete algoritmos de estimativa facial. O melhor deles ainda errou bastante, especialmente com migrantes da África Subsaariana. Para meninas negras dessa região, a idade prevista ficou, em média, 4,6 anos acima da real. Ou seja, uma adolescente de 13,5 anos pode ser classificada como adulta de 18.
Consequências práticas
Quando a IA rotula uma criança como adulta, ela perde acesso a abrigos específicos, educação e outros benefícios. Em vez de ser colocada em um centro juvenil, pode acabar em um bloqueio para adultos, onde as condições são bem diferentes.
Por que a ciência foi deixada de lado
O Home Office tinha um comitê científico para avaliar métodos de idade, mas o grupo foi dissolvido enquanto a IA avançava. Tim Cole, ex‑membro do comitê, descreveu os resultados como “hideously inaccurate”.
O que dizem os defensores da tecnologia
Um porta‑voz do Home Office afirmou que a verificação facial será apenas um apoio ao julgamento humano, não um substituto. A justificativa para o fim do comitê foi a necessidade de “expertise diferente”.
“Temos processos rigorosos para confirmar a idade e estamos modernizando com tecnologia rápida e eficaz”, disse o representante.
O panorama global
Essa iniciativa chega num momento em que governos ao redor do mundo intensificam políticas anti‑migração e investem pesado em vigilância. O risco de aplicar IA em situações de alta responsabilidade, sem transparência nem validação adequada, continua alto.
Enquanto isso, organizações de direitos humanos pedem cautela e revisão independente antes que a IA entre em operação nas portas de entrada do país.