Tecnologia

FCC vai ficar com maioria republicana de 3 a 1 sob Trump

· por Rafa Tanaka

Se você acompanha como as regras de telecom e mídia nos EUA vêm mudando, essa é daquelas notícias que parecem burocráticas mas têm efeito prático real. A FCC, a agência que regula rádio, TV e telecomunicações no país, está prestes a ganhar uma nova comissária republicana. E isso muda o placar interno de 2-1 para 3-1 a favor do partido de Trump.

O nome indicado é Danielle Thumann Severs, advogada que já trabalha como assessora sênior do atual presidente da FCC, Brendan Carr. Ela ainda precisa passar pelo Senado, mas como os republicanos têm maioria lá, a confirmação tende a ser só uma questão de tempo.

Por que isso quebra um costume antigo

Historicamente, quando o presidente indica alguém para a FCC, ele também indica em paralelo um nome do partido rival, geralmente sugerido pela oposição no Senado. Isso mantém o órgão sempre com uma vantagem mínima de um voto para quem está no poder, não uma esmagadora.

Trump decidiu não seguir esse roteiro. Não veio nenhuma indicação democrata para acompanhar a de Thumann Severs, o que já gerou reação no Senado.

“Isso vai ser um problema. Queremos pareamento”, disse a senadora Maria Cantwell, principal democrata da Comissão de Comércio do Senado.

Na prática, sem esse pareamento, a confirmação deve ser mais tensa, mesmo que o resultado final não mude muito.

O que está em jogo pra quem usa mídia e internet

A FCC não é só papelada. É o órgão que decide sobre licenças de emissoras, regras de banda larga e fusões no setor de telecom. Sob Carr, a agência já vem usando uma política antiga sobre “distorção de notícias” para pressionar emissoras que, segundo a Casa Branca, não cobrem Trump de forma favorável. Com mais um voto republicano confirmado, Carr ganha reforço para continuar nessa linha.

Existe ainda a possibilidade de Trump ir além e demitir a única democrata que resta na FCC, Anna Gomez, repetindo o que já fez na FTC em 2025, quando removeu os dois comissários democratas e teve a decisão validada pela Suprema Corte. Só que, no caso da FCC, uma maioria total de um partido violaria uma lei que proíbe superrepresentação, o que abriria a porta para decisões da agência serem contestadas na Justiça.

Por enquanto, Gomez continua no cargo. Mas o cenário mostra uma FCC cada vez mais alinhada ao Executivo, e isso tende a aparecer nas próximas discussões sobre licenças de TV, banda larga e regras para plataformas digitais.

Fonte: https://arstechnica.com/tech-policy/2026/08/trump-to-give-republicans-a-3-1-fcc-majority-isnt-filling-empty-democratic-seat/