Corais resistentes: a busca por recifes que sobrevivem ao aquecimento global
O aquecimento dos oceanos está provocando ondas de calor que deixam a maioria dos corais do planeta pálidos e vulneráveis. Ainda assim, alguns recifes continuam coloridos e cheios de vida. Cientistas acreditam que entender o que faz esses “super recifes” sobreviver pode ser a chave para restaurar áreas degradadas.
Um robô como parceiro de mergulho
Na lagoa de Majuro, nas Ilhas Marshall, a pesquisadora Anne Cohen, do Woods Hole Oceanographic Institution, acompanha um pequeno veículo autônomo chamado Yellowfin. O robô navega até coordenadas pré‑definidas e indica onde está o recife que ela está monitorando há anos. “Ele é o melhor companheiro de mergulho que eu poderia ter”, diz Cohen.
Ao chegar, Cohen encontrou uma floresta subaquática de corais de mesa marrom, corais de galho de veado dourados e uma explosão de cores pastel. “É como um país das maravilhas”, comenta, ainda emocionada.
O que torna um recife “super”?
Desde 2023, ondas de calor marinhas recordes causaram o maior branqueamento de corais já registrado, afetando mais de 80% dos recifes em 83 países. A maioria dos corais perde as algas simbióticas que lhes dão energia e cor, ficando “fantasmas” brancos. Porém, alguns recifes mantêm suas algas mesmo nas temperaturas mais altas.
O projeto “Super Reefs”, iniciado por Cohen em 2018, busca mapear esses locais. Em 2021, a iniciativa se juntou à The Nature Conservancy e à Universidade de Stanford para ampliar a busca e proteger as áreas resilientes.
Desafios além do calor
Mesmo os recifes mais resistentes enfrentam ameaças humanas: dragagem para portos, escoamento agrícola, esgoto e plásticos introduzem patógenos e nutrientes excessivos que provocam doenças e algas nocivas. A pesca de arrasto e a pesca com dinamite podem destruir estruturas coralinas em minutos, como “usar um martelo para esmagar um caranguejo”.
Hoje, mais da metade dos recifes globais já desapareceu por causa da combinação de mudanças climáticas e impactos humanos. Sem intervenções significativas, projeções apontam que até 90% podem ser perdidos nas próximas décadas.
Por que isso importa para nós
Recifes saudáveis funcionam como filtros naturais, protegem costas de tempestades, sustentam pescarias e são berço de biodiversidade. Decifrar os mecanismos de resistência – seja genética, microbioma ou microhabitat – pode orientar projetos de restauração que plantem corais mais robustos ou criem áreas protegidas estratégicas.
Enquanto isso, a tecnologia de veículos autônomos, sensores de temperatura e análises genômicas está acelerando a coleta de dados. Cada descoberta traz um passo a mais rumo a soluções práticas para um oceano que ainda tem muita vida para oferecer.