Inteligência Artificial

Ex-funcionários da EPA acusam Trump de afrouxar regras para data centers de IA

· por Pedro Antunes

Quem já operou infraestrutura sabe: capacidade não aparece do nada. Data center de IA consome energia em escala industrial, e essa energia tem que sair de algum lugar. O problema é quando a conta ambiental é empurrada para debaixo do tapete em nome da velocidade.

Foi o que um grupo de ex-funcionários da EPA colocou na mesa esta semana. A Environmental Protection Network publicou um relatório apontando 30 ações federais desde janeiro de 2025 que, na avaliação deles, aumentam riscos à saúde ligados à poluição gerada pelo boom de data centers. Dessas, 17 citam IA ou miram diretamente esses sites.

O que está sendo afrouxado

O pacote não é sutil. Envolve desde cortes de pessoal e orçamento na agência até propostas que restringem projetos de energia renovável e suavizam limites de poluentes. Usinas e fábricas já existentes ganharam isenções de certos padrões. Na prática, a expansão de capacidade para IA fica cada vez mais dependente de fontes sujas.

Você esperaria que uma expansão industrial desse tamanho significasse mais vigilância da EPA. Em vez disso, a agência faz o oposto.

A frase é de Lynn Goldman, pediatra e ex-administradora assistente da EPA. O recado é direto: a agência criada para proteger saúde e meio ambiente virou gargalo a ser removido, não fiscal.

Por que isso importa para quem roda infra

Não é só questão de morar ao lado de um data center. A pegada energética se espalha pela rede. Se a geração por trás dos watts é mais poluente, o impacto chega a regiões inteiras, mesmo longe dos racks.

  • Mais demanda por energia fóssil para sustentar treinamento e inferência em escala.
  • Menos fricção regulatória para construir, mas também menos salvaguarda para quem respira o ar.
  • Pressão sobre renováveis num momento em que a rede precisaria do contrário.

O grupo pede que o governo adote um compromisso formal de proteção à saúde em torno de data centers. Difícil acreditar que saia do papel. Enquanto isso, quem projeta, provisiona e opera essa infraestrutura deveria encarar eficiência energética como requisito técnico, não como slide de ESG. Menos watt por token não é só custo: é o que sobra de margem para não empurrar o problema para o vizinho.

Fonte: https://www.theverge.com/ai-artificial-intelligence/994112/ai-data-center-pollution-health-epa