Inteligência Artificial

Microsoft funde apps do Copilot e descarta recursos de IA que não emplacaram

· por Lia Andrade

Dois anos atrás, a Microsoft chamava a inteligência artificial de mudança geracional e prometia liderar essa onda. Agora a empresa está fazendo uma faxina séria no Copilot: vai unificar o app de consumidor com a versão empresarial, o Microsoft 365 Copilot, e ao mesmo tempo desligar uma pilha de recursos que simplesmente não pegaram com o público.

A notícia foi revelada pelo GeekWire e confirmada pela própria documentação de suporte da Microsoft. É um movimento que soa como reorganizar duas gavetas separadas em uma caixa só, porque na prática ninguém usa IA de um jeito no trabalho e de outro totalmente diferente em casa.

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Segundo a companhia, usuários do plano pessoal vão perder acesso a uma lista específica de funções:

  • Chats em grupo dentro do Copilot
  • Podcasts gerados automaticamente por IA
  • Os recursos experimentais do Copilot Labs
  • A ferramenta de pesquisa profunda (Deep Research)

Para quem paga pela versão profissional, existe uma compensação: a função Researcher deve assumir o papel que a pesquisa profunda cumpria, funcionando como um assistente de investigação dentro do fluxo corporativo.

Também vai embora o Mico, aquele personagem animado em forma de bolha flutuante que a Microsoft apresentou como a cara amigável do Copilot. Para quem acompanha a história da empresa, é difícil não enxergar ali um parente distante do Clippy, o clipe de papel que virou piada nos anos 90 e 2000 por interromper todo mundo com dicas inúteis.

Consolidação é a palavra da vez

Esse movimento não é um caso isolado. É como se todo o setor de assistentes de IA estivesse passando pela mesma dieta de simplificação. A Anthropic já absorveu o Cowork dentro do Claude Chat, a OpenAI incorporou o agente Operator direto no ChatGPT, e o Google empilhou capacidades como pesquisa profunda e navegação dentro do próprio Gemini, em vez de manter apps satélites. Parece que o mercado descobriu, quase ao mesmo tempo, que app fragmentado é sinônimo de usuário confuso.

O pano de fundo da decisão apareceu em um memorando interno revelado pelo site The Information. Jacob Andreou, vice-presidente executivo responsável pelo Copilot, foi direto com a equipe:

O aplicativo precisa conquistar o direito de existir na vida dos usuários, o que significa abandonar o que não funciona.

Na prática, é a Microsoft admitindo que parte da aposta em recursos vistosos, como mascote animado e podcasts automáticos, não converteu engajamento real. Faz sentido pensar nisso como um produto que testou dezenas de gadgets, mas descobriu que os usuários só queriam o motor principal funcionando bem. Arquivos criados no app standalone do Copilot serão migrados para o OneDrive durante a transição, e a empresa avisa que outras funções podem ficar instáveis por alguns dias enquanto a fusão é concluída.

Fonte: https://techcrunch.com/2026/08/13/microsoft-kills-off-unsuccessful-ai-features-while-merging-its-separate-copilot-apps/