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Espelhos flexíveis do novo telescópio da NASA podem achar Júpiteres reais

· por Rafa Tanaka

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A NASA está a poucos meses de lançar o telescópio Nancy Grace Roman, e a grande novidade dele não é bem o tamanho da câmera (300 megapixels, para quem gosta de números grandes), mas um truque ótico que ninguém tinha levado para o espaço antes.

O Roman vai carregar o primeiro coronógrafo “ativo” instalado numa espaçonave. Na prática, é um sistema que apaga a luz da estrela na hora da foto para deixar visível o que está ao redor dela: planetas.

O problema de fotografar algo ao lado de um holofote

Telescópios como o Hubble e o James Webb já usam coronógrafos, mas são versões fixas, tipo colocar o polegar na frente de uma lanterna para procurar um vaga-lume no escuro. Funciona até certo ponto, mas sempre escapa um brilho pelas bordas ou pelas imperfeições dos espelhos, e isso pode esconder, ou até simular, um planeta que não existe.

O Roman resolve isso de um jeito mais elegante. Antes de cada observação, ele mede a sobra de luz e usa dois espelhos deformáveis para corrigir isso na hora. Cada espelho tem uma grade de 48×48 minúsculos pistões que empurram a superfície de vidro em ajustes de poucos picômetros, uma fração do tamanho de um átomo de hidrogênio.

O resultado é parecido com um fone de cancelamento de ruído, só que para luz em vez de som. As ondas indesejadas são canceladas e sobra uma espécie de “rosquinha” escura ao redor da estrela, exatamente onde os planetas ficam visíveis.

Por que isso importa

Até hoje, quase todo exoplaneta fotografado diretamente é um gigante jovem e quente, muito maior que Júpiter e orbitando bem longe da própria estrela. Eles são fáceis de ver porque brilham forte. O que o Roman promete é o contrário: captar planetas menores, mais frios e mais próximos das suas estrelas, parecidos com os que temos no nosso sistema solar.

Segundo os cientistas da missão, a sensibilidade do instrumento deve ser até mil vezes maior que a dos coronógrafos atuais. É o tipo de salto que separa achar uma estrela de achar o mesmo tipo de planeta em que a gente vive.

Espero que ele seja lembrado como esse passo crucial para encontrar a Terra 2.0, diz Brandon Creager, engenheiro líder do instrumento no JPL.

Vale lembrar: o Roman não vai fotografar uma “Terra 2.0” nessa missão. O que ele deve entregar são versões próximas de Júpiter e Saturno, além de ajudar a mapear cerca de 100 mil novos exoplanetas usando outra câmera, essa sem o truque do coronógrafo.

Na prática, isso monta o cenário para a próxima geração de telescópios, que aí sim vão tentar fotografar planetas do tamanho da Terra. O Roman é o laboratório que testa se a técnica funciona antes de investir bilhões numa missão ainda mais ambiciosa.

Fonte: https://www.technologyreview.com/2026/07/22/1140701/shape-shifting-mirrors-roman-space-telescope/