Inteligência Artificial

Ex-engenheiro do Optimus fecha acordo com Tesla e levanta US$ 11 mi para mãos ro

· por Rafa Tanaka

INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

Ser processado pela Tesla enquanto tenta erguer uma startup não está na lista de recomendações de ninguém. Mas Jay Li, fundador da Proception, encarou exatamente isso — e saiu do outro lado com acordo fechado, US$ 11 milhões no caixa e o primeiro lote de produto sendo entregue.

O que aconteceu com a Tesla

Li foi tech lead no programa Optimus, o robô humanoide da Tesla. Em 2025, a empresa abriu processo contra ele alegando que ele teria levado segredos industriais ao criar a Proception. Meses de batalha jurídica depois, o acordo foi fechado e a ação encerrada no início de junho. A Tesla não comentou.

“É como um teste de resiliência”, disse Li ao TechCrunch. Ele não recomenda o caminho, mas acredita que passar por isso fortaleceu a empresa.

O problema que a Proception quer resolver

Fazer uma mão robótica que funcione de verdade como a humana ainda é um dos maiores nós em aberto da robótica. O próprio Elon Musk já apontou isso publicamente. Kevin Lynch, diretor do Centro de Robótica da Northwestern University, estimou ao WSJ que levar uma década até que essas mãos sejam funcionais e úteis em tarefas humanas.

Li quer chegar lá bem antes disso. A estratégia da Proception gira em torno de dois elementos que, segundo ele, a maioria das empresas não combina bem: hardware de alta destreza e coleta de dados escalável.

O que a mão faz — e como ela aprende

A mão da Proception tem 22 graus de liberdade e múltiplas juntas por dedo. Mas o diferencial não está só no hardware.

Enquanto a maior parte das empresas treina robôs com teleoperadores — uma pessoa com headset VR controlando o robô à distância, sem sentir o que ele toca — a Proception usa uma luva cheia de sensores. Humanos vestem essa luva e um headset, e capturam dados de interação real com objetos, sem precisar de um robô no loop.

  • A coleta independe do número de robôs disponíveis
  • O operador recebe feedback tátil dos objetos
  • Os dados são mais granulares e adaptáveis por tarefa

Essa mesma luva vai na mão robótica como uma espécie de pele sensorial, reunindo hardware e dados numa lógica integrada.

Quem está por trás do investimento

A rodada seed de US$ 11 milhões foi liderada pela First Round Capital, com Y Combinator e BoxGroup também participando. Bill Trenchard, da First Round, disse ao TechCrunch que a Proception pode ter “a mão mais sofisticada do mercado hoje” — e que manipulação com destreza é a peça que falta para robôs humanoides serem realmente úteis.

Trenchard também elogiou a postura de Li durante o processo judicial: cabeça baixa, time focado.

E o próprio Li? Ele acha que a Tesla vai bater na porta da Proception algum dia. “Acho que vai acontecer”, disse.

Fonte: https://techcrunch.com/2026/06/29/robot-hand-company-settles-tesla-trade-secret-suit-and-announces-11m-raise/