Omen AI capta R$ 31 mi para monitorar o líquido que resfria GPUs em tempo real
Existe um problema nos data centers que a maioria das pessoas não vê: o líquido que resfria as GPUs pode desenvolver uma contaminação bacteriana silenciosa, e quando isso acontece o jeito de resolver é desligar o rack inteiro por cinco ou seis horas. O custo pode chegar a milhões de dólares em downtime.
A causa é menos óbvia do que parece. Para rodar chips cada vez mais quentes, os operadores ajustam a mistura do fluido de resfriamento para incluir mais água — ela absorve calor melhor. O problema é que mais água também favorece crescimento bacteriano, entope o sistema e obriga o flush completo.
A Omen AI quer resolver isso com um espectrômetro pequeno que fica monitorando esse fluido o tempo todo, antes que qualquer infestação vire uma crise.
Você não fica arriscando um downtime gigante porque não tem nenhuma visibilidade do que está acontecendo quimicamente — Zach Laberge, CEO da Omen AI
O dispositivo detecta mais do que bactérias: cobre ou crômio indicam bombas se deteriorando; silício aponta falha em vedações. É basicamente um exame de sangue contínuo para a infraestrutura física do data center.
A empresa anunciou hoje uma Série A de US$ 31 milhões, liderada pela Nava Ventures, com participação de CRV, Vanderbilt University, Mann+Hummel, Starhill Holdings e Hard Launch Capital, além de investimentos pessoais de executivos da Bridgestone, GM, Johnson Controls e TensorWave. Desde a fundação em 2024, o total captado chegou a US$ 40 milhões.
O histórico do fundador é curioso. Laberge criou sua primeira empresa em 2020, aos 14 anos, captou US$ 3 milhões para instalar sensores em máquinas de construção e largou o ensino médio para tocar o negócio — com apoio dos pais, inclusive da mãe que foi Ministra da Educação de Ontário. Quando essa startup foi encerrada, ele fundou a Omen em 2024 com foco em sistemas de fluidos para maquinário pesado.
A virada para data centers veio de dentro da base de clientes: revendedoras da Caterpillar — que também fornece turbinas e geradores a gás para data centers — começaram a perguntar se a Omen podia monitorar o lado predial das instalações. A equipe descobriu que esses prédios são cheios de fluido, de HVAC a resfriamento de chips, e redirecionou o foco.
Hoje a Omen trabalha com uma dúzia de clientes em data centers, incluindo a TensorWave, que opera infraestrutura de computação em nuvem com chips AMD.
- Monitoramento contínuo elimina a necessidade de enviar amostras para laboratório
- Detecção precoce reduz o risco de flush emergencial e horas de downtime
- O avanço foi possível porque hardware óptico ficou mais barato e o processamento de sinal evoluiu o suficiente para filtrar ruído em escala
A Omen não está sozinha nesse espaço: a Pyxis, empresa já estabelecida em monitoramento de água, lançou um produto específico para fluido de resfriamento de data centers no início deste mês. A disputa pelo segmento está começando.
Fonte: https://techcrunch.com/2026/06/29/omen-ais-plan-to-optimize-data-centers-is-all-wet/