Por que a IA da AMI Labs evita rótulos como AGI e superinteligência
Enquanto todo mundo na indústria de IA disputa quem primeiro vai colar o rótulo de “AGI” ou “superinteligência” no próprio produto, Alexandre LeBrun faz o contrário. O CEO da AMI Labs, startup de modelos de mundo cofundada por Yann LeCun, simplesmente recusa esse vocabulário inteiro.
Em conversa com a TechCrunch durante a ICML em Seul, ele foi direto: nunca usaram a palavra AGI, e percebeu que quase ninguém mais usa; todo mundo trocou para superinteligência. A previsão dele é debochada: na próxima, vão trocar para outra coisa.
Olha que coisa interessante: LeBrun não está só implicando com marketing. Ele acha os termos vazios porque ninguém define bem o que significam. Superinteligência, para ele, não é uma palavra muito útil.
O que diferencia um modelo de mundo de um LLM
Pense num LLM como alguém que decora um dicionário gigante e prevê qual palavra vem depois. Um modelo de mundo é outro animal: ele tenta prever o próximo estado físico das coisas. Empurre um copo para a borda da mesa e você já sabe, por intuição, que ele vai cair e quebrar. É esse tipo de intuição que a AMI Labs quer ensinar às máquinas.
LeBrun é cuidadoso ao dizer que um modelo não substitui o outro. Linguagem e raciocínio físico funcionam como duas regiões distintas do cérebro humano: complementares, não concorrentes.
Robôs bonitos, mas sem cérebro
O exemplo que ele usa é cruel de tão preciso: aquele robô fazendo kung fu e dança num evento público que acabou chutando uma criança que se aproximou. Para LeBrun, isso resume o estado da robótica hoje. O hardware avançou muito nos últimos meses, mas falta o cérebro por trás dele.
Robôs continuam completamente estáticos, repetindo rotinas fixas sem entender o que está à sua volta.
Fora da fábrica, onde a rotina é sempre a mesma, o problema explode. Colocar um robô na rua ou dentro de uma casa exige que ele interprete um ambiente aberto e imprevisível, e aí, segundo LeBrun, ainda não existe solução para isso.
Saúde, Coreia e a aposta sem produto
Vindo da Nabla, sua startup anterior de IA para saúde, LeBrun usa outra analogia: os LLMs de hoje seriam um médico formado só na teoria, sem nenhuma residência. Cobrem, segundo ele, apenas 1% da medicina real; o resto exige experiência prática que nenhum modelo treinado em texto consegue simular sozinho.
É por isso que a AMI Labs corteja parceiros industriais na Ásia, sobretudo na Coreia do Sul, país com base forte em robótica, semicondutores e manufatura, além de histórico de adoção rápida de tecnologia. Seul anunciou recentemente um plano de cerca de US$ 880 bilhões em chips, data centers de IA e IA física.
Ainda assim, a AMI Labs não tem produto nem prazo definido. A startup levantou US$ 1,03 bilhão em março, com valuation de US$ 3,5 bilhões antes da rodada. LeBrun prefere guardar segredo: a promessa é fazer uma surpresa quando estiverem prontos.