Tem duelo mais moderno que duas gigantes trocando print de conversa pra provar quem tá certo? Foi basicamente isso que a OpenAI fez ao responder ao processo que a Apple abriu contra ela por suposto roubo de segredos industriais.
Num post publicado durante a madrugada, a empresa de Sam Altman classificou a ação judicial da rival como descuidada, agressiva e, olha que curioso, estranhamente pessoal. E não veio só com discurso: trouxe trechos de e-mails e mensagens de texto pra desmontar pontos centrais da acusação.
Vale reforçar: isso não é uma peça jurídica formal, é uma jogada de comunicação. A OpenAI está tentando vencer no tribunal da opinião pública antes mesmo de chegar no tribunal de verdade, escolhendo a dedo quais mensagens mostrar pra abrir buracos na narrativa da Apple.
Os dois nomes no centro da briga
O processo, aberto pela Apple no mês passado, gira em torno de dois ex-funcionários que hoje trabalham na OpenAI. Chang Liu era engenheiro do time do iPhone e agora integra a equipe técnica da concorrente. Tang Tan passou 25 anos na Apple, liderou o design do iPhone e do Apple Watch, e assumiu o cargo de diretor de hardware da OpenAI.
A Apple alega que os dois levaram informação confidencial sobre tecnologias e produtos ainda não lançados, usando esse conhecimento pra turbinar os planos de hardware da rival. Segundo a Reuters, a empresa pediu na segunda-feira uma liminar pra impedir Liu, Tan e a própria OpenAI de acessar, usar ou divulgar esse material enquanto o caso corre na justiça.
A resposta ponto a ponto
A OpenAI rebateu dizendo que o pedido de liminar se baseia em informação falsa e é simplesmente desnecessário, já que a empresa afirma não ter nem querer nenhum segredo da Apple.
Estamos muito mais interessados em construir produtos e tecnologias inovadoras que empurrem a fronteira do que em qualquer coisa que a Apple guarda em seus servidores, resumiu a empresa no post.
A Apple acusa Liu de não devolver um computador corporativo e de explorar uma falha de autenticação pra acessar o armazenamento em nuvem da empresa semanas depois de sair, chegando a orientar uma colega sobre como fazer o mesmo sem levantar suspeita da equipe de segurança.
A OpenAI vira o jogo: diz que a própria Apple só agora admite que foram funcionários da maçã que procuraram Liu pedindo ajuda pra localizar esses arquivos. E aponta que o tal acesso residual citado pela Apple é, na real, um problema recorrente da própria empresa, que falha em revogar permissões quando alguém sai. Ou seja: ex-funcionários bem-intencionados continuam com as chaves da casa mesmo sem querer entrar.
Sobre Tan, a Apple sustenta que ele teria pedido informações confidenciais durante entrevistas de emprego com funcionários da Apple, chegando a pedir que mostrassem componentes em que trabalharam. A OpenAI também contesta esse ponto, embora os detalhes completos da réplica ainda não tenham circulado por completo.
No fim das contas, é um lembrete de como brigas por talento em IA e hardware viraram tão estratégicas quanto qualquer disputa de patente. Cada mensagem vazada aqui vale como munição.