OpenAI perde sua nº 2 em corrida por IPO de US$ 852 bi
A OpenAI perdeu sua segunda em comando. Fidji Simo avisou a equipe nesta quinta que sai do cargo de CEO de Aplicações, função full-time que ocupava desde maio de 2025. A justificativa, segundo o Wall Street Journal, é que a licença médica por uma condição neuroimune recidivante se arrastou mais do que o previsto. Ela vira consultora part-time — versão corporativa de sair pela porta dos fundos sem bater a porta.
A cadeira mais cara do organograma
O momento é ruim para Sam Altman. A OpenAI carrega valuation recente de US$ 852 bilhões, mira um IPO e ainda corre atrás da Anthropic no mercado enterprise, onde segue em desvantagem. Simo era cotada como a executiva que herdaria ainda mais poder assim que a empresa abrisse capital. Em vez disso, deixa um vácuo justo na curva mais apertada da corrida.
O cargo não era decorativo. Simo consolidava sob si o COO Brad Lightcap, a CFO Sarah Friar e o CPO Kevin Weil, enquanto Altman recuava para tocar pesquisa, computação e segurança. Desde abril, quando revelou a licença, a OpenAI já perdeu outras peças do tabuleiro: Lightcap foi realocado para projetos especiais, a CMO Kate Rouch saiu para tratar câncer e Weil deixou a empresa.
Antes da OpenAI, Simo tocou a Instacart como CEO a partir de 2021 e levou a empresa ao IPO de 2023. Currículo também inclui mais de uma década no Meta, rodando o aplicativo do Facebook. Ou seja: não é executiva de primeira viagem em processo de abertura de capital — o que torna a saída ainda mais estranha para quem apostava nela como sucessora natural.
Banco de reservas curto para US$ 852 bi
De fora, o organograma da OpenAI parece magro demais para uma empresa desse tamanho. Além de Altman, Lightcap, Friar e do cofundador Greg Brockman — que também é presidente e assumiu a estratégia de produto na ausência de Simo — a diretoria conta com Denise Dresser, chief revenue officer desde dezembro. Ela já foi CEO do Slack por dois anos e passou 14 anos na Salesforce, dona do Slack. Não seria surpresa vê-la ganhar um escopo maior.
O pano de fundo financeiro também merece nota. Em abril do ano passado, a OpenAI cortou o cliff de vesting de 12 para 6 meses; em dezembro, zerou o cliff para novas contratações, deixando o equity vestir desde o primeiro dia. A empresa projetava gastar US$ 6 bilhões em compensação baseada em ações só em 2025 — medida de quanto capital a companhia queima para reter gente em meio à guerra de talentos em IA. Nenhuma das saídas recentes, segundo a reportagem, está ligada a dinheiro. O equity de Simo já teria cumprido o cliff bem antes da mudança de regra.
O foco de Simo era acelerar o negócio de consumo. Só que o crescimento do ChatGPT desacelerou no fim do ano passado, ficou abaixo da meta interna de receita e empurrou a empresa a apostar mais forte em ferramentas de código — território onde a Anthropic ainda lidera.
Fonte: https://techcrunch.com/2026/07/09/fidji-simo-steps-down-from-openais-no-2-role/