Inteligência Artificial

OpenAI perde chefe de data centers em ano de 13 saídas no topo

· por Caio Mendonça

INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

Mais um nome sai da OpenAI. E este pesa: Chris Malone comandava a estratégia de data centers, o coração físico da corrida por infraestrutura de IA. Saiu semana passada, segundo o Wall Street Journal.

Currículo grosso: quase cinco anos na Meta, mais de uma década no Google antes disso. Entrou na OpenAI em março do ano passado. Ou seja, passagem curta para quem chegou logo depois do lançamento do Stargate, iniciativa de data centers de US$ 500 milhões abraçada pelo governo Trump, com Oracle, Nvidia, SoftBank e Microsoft como parceiros.

O que a saída sinaliza

Em plena febre de construção de infraestrutura, a cadeira de data center virou uma das mais vigiadas de qualquer laboratório de IA. Rotatividade nesse posto chama atenção. A OpenAI fala em “reorganização” para dar conta de escala e ritmo. Na prática: Malone deixou de responder ao presidente Greg Brockman e passou a reportar ao VP Sachin Katti, que assumiu o grupo.

A empresa cita banco reserva: Uday Ruddarraju no time de data center, Brent Mayo na entrega de obras, Spas Lazarov na engenharia. Time existe. A dúvida é se a saída do arquiteto principal atrasa a execução bilionária.

A conta de saídas

Malone não sai sozinho. O Business Insider contou 13 executivos fora em 2026, vários no último mês. Nenhum júnior:

  • Denise Dresser, chefe de receita, trocada após oito meses.
  • Brad Lightcap, COO veterano, saiu para “algo novo” sem detalhes.
  • Fidji Simo, número dois de fato, deixou o cargo por doença crônica; segue como conselheira.
  • Chloé Bakalar, chefe de ética, fora em julho.
  • Kate Rouch, chefe de marketing, saiu em abril por motivos de saúde.

Some a isso o desmonte do time de “preparedness”, que avaliava riscos catastróficos dos modelos, e a saída de Bill Peebles, que tocava o gerador de imagens Sora — descontinuado.

O que está em jogo

Brockman reclama que o “holofote” sobre a empresa faz cada saída virar manchete. Verdade parcial. O problema é o timing.

O IPO, antes esperado para este ano, escorregou para 2027. E toda listagem vem com auditoria reputacional.

A tese cética já circula: comparativos com a Anthropic sugerem que a OpenAI pode estar supervalorizada, com lucratividade que não acompanha o investimento gigante. Vazamento de talento sênior não acalma esse tipo de dúvida — alimenta. Quando o pré-IPO exige narrativa de estabilidade, uma porta giratória no C-level é o pior enredo possível.

Fonte: https://techcrunch.com/2026/08/25/openai-loses-a-top-data-center-exec-as-stream-of-high-profile-departures-continues/