Durante a teleconferência de resultados do segundo trimestre, Mark Zuckerberg contou que a Meta está usando inteligência artificial para colocar aplicativos novos no ar com muito mais velocidade — e que a lista só vai crescer.
Nos últimos meses a empresa lançou um app dedicado a vendedores do Marketplace, o Forum (uma versão independente dos Grupos do Facebook, parecida com Reddit), o joguinho Pocket construído com vibe coding, o Instagram Instants para fotos que desaparecem e até um experimento de histórias de ninar geradas por IA. Para quem acompanha o histórico de apps satélites da Meta, esse ritmo chama atenção.
O que muda na prática
Segundo Zuckerberg, os modelos de linguagem encurtam o caminho entre a ideia e o produto pronto pra teste. Isso significa menos tempo de desenvolvimento e mais chances de a empresa jogar várias apostas de produto ao mesmo tempo, usando os próprios sistemas de recomendação da Meta para dar escala rápida a quem engatar.
Espero que fique bem mais fácil lançar novos apps daqui pra frente. Estamos planejando construir mais ideias e usar nossos sistemas de recomendação para escalar, disse o CEO aos investidores.
Vale lembrar que a Meta já tentou esse caminho antes e não deu muito certo. Em 2014, o time interno Creative Labs colocou no ar apps como Slingshot, Rooms, Paper e Moments — todos fechados até 2015. Na década seguinte, o grupo NPE testou uma dezena de ideias, de app de namoro a gerador de raps, e nenhuma virou sucesso duradouro.
Threads como prova de conceito
A grande exceção é o Threads, que hoje soma 500 milhões de usuários mensais. Zuckerberg já disse mais de uma vez que aposta no app como o próximo produto da empresa a chegar a um bilhão de pessoas. Parte do crescimento veio do empurrão nas outras redes da Meta, mas a CFO Susan Li destacou que a IA também tem peso direto nisso.
Segundo Li, os LLMs deixam os sistemas de recomendação mais precisos porque entendem melhor o conteúdo e geram dados de treino de qualidade melhor. Ela também citou que agentes baseados em LLM já ajudam engenheiros a avaliar qualidade de conteúdo, detectar tendências e testar mudanças de ranking. Um número chama atenção: todo Reel e post do Feed do Instagram já passa automaticamente por um LLM que analisa tema e tom antes de decidir o que aparece pra você.
Na prática, é isso que sustenta a promessa de mais apps: se a IA ajuda a entender o conteúdo e a recomendar melhor, fica mais fácil colocar um app novo na frente do público certo sem depender só de marketing pesado.
Os investidores nem insistiram muito nesse ponto durante a call — o foco foi gasto com IA e as ambições da Meta no mercado corporativo. Mas Zuckerberg deixou no ar que a espera pelos próximos lançamentos não deve ser longa.