Investidores de peso apostam em OpenAI e Anthropic: conflito de interesses ou he
A rivalidade entre OpenAI e Anthropic é notória. Disputam talentos, clientes e até divergem em propostas regulatórias. Seus CEOs, em um evento recente, evitaram o contato, um sinal claro da tensão. Contudo, há um ponto de convergência que desafia a lógica: seus investidores.
Uma análise da PitchBook revela que cerca de 90 gestoras de capital, incluindo gigantes como Sequoia Capital e Greylock, injetaram dinheiro em ambas as empresas. Impressionantes 42% dos investidores da OpenAI também estão na Anthropic, e um terço dos investidores da Anthropic apostou na OpenAI. Isso não é um mero acaso; é uma estratégia.
Historicamente, o capital de risco evita financiar concorrentes diretos para mitigar conflitos de interesse. Empresas compartilham informações sensíveis e buscam conselhos; ter o mesmo investidor em lados opostos criaria situações delicadas. Mas o cenário atual é diferente.
A evolução do capital de risco e a aposta na IA
“Por que não investir em Pepsi e Coca-Cola?” questiona um capitalista de risco. A lógica é simples: se o mercado é promissor, por que escolher um único cavalo? Especialmente quando o vencedor ainda não está claro.
A indústria de venture capital mudou. Fundos cresceram exponencialmente, e startups permanecem privadas por mais tempo, captando somas estratosféricas. OpenAI e Anthropic, por exemplo, já levantaram bilhões, com valuations que se aproximam da casa do trilhão. Nesse contexto, a linha entre diferentes classes de investidores se esvaiu.
Hedge funds, private equity e gestores de fortunas, que tradicionalmente diversificam suas apostas, agora se misturam aos VCs tradicionais. Para eles, uma pequena fatia em cada rival dilui o risco e maximiza a chance de retorno, independentemente de quem domine o mercado.
A iminente abertura de capital de ambas as empresas intensifica essa dinâmica. IPOs são o momento de colher os frutos. Ter ações em ambas as companhias é uma forma de dobrar as chances de um ‘pop’ significativo, protegendo o capital investido contra a volatilidade de um mercado ainda em formação. Não se trata de lealdade, mas de retorno sobre o investimento. No fim das contas, é o dinheiro que fala mais alto.


