IA e o Foco: Estamos perdendo a capacidade de pensar por nós mesmos?
Sabe aquela sensação de que a gente não consegue focar em nada por muito tempo? Pois é, a Gloria Mark, uma psicóloga que manja muito de como a gente interage com a tecnologia, diz que isso não é só impressão. E o pior: a inteligência artificial pode estar acelerando esse processo.
Ela passou as últimas três décadas investigando como as telas afetam a gente. No começo, a galera se preocupava com a internet e o e-mail. Hoje, a gente até ri, mas a verdade é que, conforme essas ferramentas viraram parte do nosso dia a dia, nossa capacidade de prestar atenção foi diminuindo. E agora, com a IA, a coisa pode ficar ainda mais séria.
Lá por 2003, a Gloria descobriu que a gente conseguia focar em algo por uns dois minutos e meio antes de mudar para outra coisa. Ela mesma achou pouco. Mas em 2012, esse tempo caiu para 75 segundos. E entre 2014 e 2020? Pasme: 47 segundos. É tipo um piscar de olhos!
E não é só chato, é estressante. Ela notou que quando a gente fica trocando de tarefa toda hora, o nível de estresse sobe. Isso não só atrapalha nosso desempenho no trabalho ou nos estudos, mas também mexe com nosso bem-estar emocional. É mais difícil terminar as coisas e a gente se sente mais cansado.
A gente vê isso também com as redes sociais. Empresas como Meta e Google já tiveram que pagar indenizações por produtos que viciam, especialmente crianças e adolescentes. Escolas nos EUA estão processando essas empresas, alegando que elas criam produtos que prejudicam a saúde mental dos alunos.
Mas, peraí, nem tudo é ruim. Para algumas pessoas, principalmente de grupos que não se sentem representados, as redes sociais podem ser um lugar de acolhimento, onde elas encontram amigos e constroem sua identidade. A Gloria Mark diz que, no fim das contas, ainda não temos todas as respostas sobre o impacto das redes sociais nas crianças. É um tema complexo e as pesquisas ainda são inconclusivas.
E a IA, que é bem mais nova e já está em tudo? A Gloria está preocupada. Quando a gente faz um esforço para entender ou resumir algo, estamos fazendo o que ela chama de “processamento profundo”. Isso significa que a gente se engaja de verdade com a informação, aprende, entende e memoriza melhor.
Mas quando a gente pede para o ChatGPT, Claude ou Gemini fazerem isso por nós, a gente está terceirizando esse trabalho cognitivo. Estamos deixando de fazer o esforço mental necessário. E, segundo ela, isso não é bom para a gente. É como se a gente estivesse entregando nosso cérebro para a máquina, e isso pode ter consequências sérias para nossa capacidade de pensar de forma crítica e profunda.


