Funcionários da OpenAI financiam PAC rival ao chefão Brockman
Tem funcionário da OpenAI colocando a própria carteira contra o chefe. Um grupo de peões da empresa já injetou mais de US$ 215 mil no Guardrails Alliance, um super PAC criado no mês passado para pressionar por regras mais duras sobre os laboratórios de IA de ponta. O detalhe curioso: do outro lado da mesa está o Leading the Future, PAC pró-indústria que tem como um dos principais financiadores ninguém menos que Greg Brockman, presidente e cofundador da própria OpenAI.
Quem entra na conta
O Guardrails Alliance nasceu com US$ 5 milhões em caixa e se vende como movimento popular, com apoio de sindicatos e trabalhadores de tecnologia. A meta é chegar a US$ 15 milhões nesse ciclo eleitoral. Parece pouco perto dos US$ 50 milhões que Brockman e a mulher, Anna, prometeram ao Leading the Future, ou dos mais de US$ 100 milhões levantados pelo PAC rival com líderes da indústria. Mas o objetivo declarado não é competir dólar a dólar.
Sete funcionários atuais da OpenAI e um ex-funcionário já apareceram como doadores, segundo apurou a Wired. A maior doação individual veio de Juan Felipe Cerón Uribe, engenheiro de pesquisa na empresa desde 2022, que passou parte desses anos trabalhando em estratégias para reduzir riscos sociais causados por IA.
Fiquei preocupado que toda essa pesquisa seria em vão se não virasse regra real para responsabilizar empresas privadas pelo desenvolvimento de IA. Quando vi o Guardrails Alliance entrando nessa disputa, decidir doar foi fácil.
O que está por trás disso
A cofundadora do Guardrails Alliance, Shaunna Thomas, organizadora política com histórico no Partido Democrata, diz que não se preocupa com a diferença de caixa entre os dois lados. Segundo ela, expor o que os PACs de IA estão fazendo já rende resultado, porque a opinião pública tende a rejeitar esse tipo de influência bilionária quando ela fica visível.
O Leading the Future já tem histórico de peso: ajudou a enfraquecer a campanha de Alex Bores, autor da lei de segurança em IA de Nova York, que perdeu nas primárias no mês passado. Chris Lehane, chefe de assuntos globais da OpenAI, admite ter ajudado a montar o PAC e segue como conselheiro informal de Brockman nesse tipo de doação.
A OpenAI, oficialmente, tenta manter distância: um comunicado da empresa reforça que a participação de Brockman é pessoal, não institucional, e que qualquer funcionário pode doar ou aconselhar campanhas por conta própria.
O que isso muda pra quem usa IA no dia a dia
Na prática, é a primeira vez que vemos com tanta clareza gente de dentro de um laboratório de IA topando gastar dinheiro próprio para contrariar publicamente a diretoria. Isso não muda o produto que chega na sua tela hoje, mas mostra que as regras que vão definir o que essas empresas podem ou não fazer estão sendo disputadas por dentro, não só em audiência de Congresso. Vale ficar de olho: quem ganha essa briga de bastidor decide o quanto de guardrail sua IA favorita vai ter no ano que vem.
Fonte: https://www.wired.com/story/openai-employees-donations-guardrails-alliance-leading-the-future/