Tem uma cena clássica em qualquer polêmica de IA: primeiro vem a negativa cheia de convicção, depois vem a explicação criativa que não nega nada de fato. Foi exatamente isso que aconteceu com o rapper Fenix Flexin e a música ‘Rubberz’, um hit de pegada synth pop dos anos 80 que virou o novo case de teste para detectores de IA musical.
Faz um mês, no programa Mornings With Mero da Hot 97, o entrevistador perguntou direto se a faixa usava inteligência artificial. A resposta do Fenix foi seca: ‘no AI on it’. Sem espaço para dúvida.
Só que a história mudou depois que o produtor Medasin publicou vídeos afirmando que a música foi feita com uma ferramenta chamada Treblo (antes conhecida como Sonauto). A própria empresa foi além e lançou um detector de IA que aponta ‘Rubberz’ como conteúdo gerado por inteligência artificial. Até a arte de capa da faixa tem toda a cara de ter saído de um gerador de imagem.
Com a pressão subindo, alguém comparou o caso ao de Tyga, que já tinha admitido usar IA no álbum $tarface, também com pegada anos 80. Foi aí que Fenix respondeu num comentário no Instagram com uma virada de discurso digna de manual de crise:
never said I didn’t use AI, i said it had nun to do w recording process. I didn’t even know what da app was till we mixed it and erbody started commenting. ain’t nothing wrong w using new technology as a tool keep up w the times or get left behind
Ou seja: ele não teria negado usar IA, só teria dito que ela não entrou no processo de gravação. É uma distinção conveniente, mas que não combina muito com o ‘no AI on it’ de semanas atrás.
E não foi só isso. Fenix e sua equipe já tinham publicado supostos prints de arquivos de sessão de gravação, insistido nos comentários que a música foi feita por duas pessoas cantando na sala de casa ‘com pro tools, autotune e um pouco de reverb’, e até garantido que ele está cantando de verdade em cenas que parecem playback.
Por que isso importa pra quem trabalha com música e conteúdo
O caso vira um ótimo estudo de caso sobre transparência. Ferramentas de detecção de IA musical, como a que a própria Treblo lançou, estão cada vez mais acessíveis, e isso muda o jogo pra quem cria conteúdo: esconder o uso de IA já não é tão simples quanto postar um clipe de estúdio bem editado.
Pra quem produz música, marketing ou qualquer conteúdo assistido por IA, a lição prática aqui é direta: declarar o uso da ferramenta antes que alguém descubra costuma sair mais barato, em reputação, do que ser pego mudando de história depois.
Fonte: https://www.theverge.com/ai-artificial-intelligence/976801/fenix-flexin-rubberz-ai-song-treblo
