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Inteligência Artificial

Estúdio usa IA para fazer filme e pegar carona no hype de Nolan

Estúdio usa IA para fazer filme e pegar carona no hype de Nolan

Enquanto o mundo do cinema se prepara para a versão de Christopher Nolan para A Odisseia — um filme de US$ 250 milhões com projeção de faturar entre US$ 80 milhões e US$ 100 milhões só na abertura — outro grupo decidiu tentar a sorte com uma receita bem mais barata: inteligência artificial.

A produtora Fountain 0 anunciou que está preparando Odysseus: The Fall, uma releitura gerada por IA da mesma história grega, e usa claramente o momento Nolan como gancho de marketing. O plano é vender ou alugar o filme digitalmente ainda neste verão.

O detalhe que chama atenção é o orçamento. Enquanto Nolan gastou uma fortuna em tecnologia de filmagem, o diretor Ash Koosha fez o projeto inteiro com o que a produtora descreve como cifra na casa das cinco dezenas de milhares de dólares — uma fração mínima do custo tradicional. Ele escreveu, dirigiu e editou o filme praticamente sozinho, usando o gerador de vídeo Kling e o Nano Banana, ferramenta de imagem do Google.

Koosha não é novato nesse tipo de produção. Ele já tinha feito Dreams of Violets, um docudrama sobre a repressão no Irã, com orçamento de apenas US$ 2 mil. No novo projeto, o próprio diretor empresta o rosto ao protagonista e dá voz a todo o elenco.

E aqui entra o problema que qualquer espectador percebe assim que vê o trailer: dá para sentir que é IA. Os planos são curtos, o acabamento tem aquele brilho artificial que já ficou conhecido como AI slop, e os personagens se movem com uma rigidez que quebra a imersão. Não é sutil.

Do ponto de vista de quem só quer assistir a algo decente no fim de semana, isso muda a experiência de consumo. A gente já está acostumado a separar produção grande de produção independente, mas agora existe uma terceira categoria: o filme feito para surfar um momento de buzz, com custo baixíssimo e limitações visuais que ainda saltam aos olhos.

O movimento lembra os filmes direct-to-video que pegavam carona em títulos de sucesso nas locadoras — só que agora a cópia é gerada por algoritmo, não por um estúdio B com câmera e atores reais.

Isso não significa que a tecnologia vá ficar estagnada. Ferramentas como Kling e Nano Banana evoluem rápido, e é bem possível que essa diferença visual encolha em poucos meses. Mas, por enquanto, se você tiver que escolher entre a versão de Nolan e a versão gerada por IA, o trailer já entrega a resposta.

Para quem acompanha IA aplicada a entretenimento, o caso funciona como termômetro: mostra que o hype em torno de ferramentas generativas ainda corre na frente da qualidade real do resultado final.

Fonte: https://www.theverge.com/entertainment/965616/ash-koosha-odysseus-the-fall-foundtain-zero-tilly-norwood

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