Inteligência Artificial

Ditto troca o swipe por match feito por IA entre universitários

· por Rafa Tanaka

Cansada de swipe infinito, a geração Z está testando outro caminho para encontrar par: deixar uma IA escolher por eles.

O Ditto, criado pelos ex-alunos da UC Berkeley Allen Wang e Eric Liu, aposta que a solução para o cansaço dos apps de namoro não é mais um algoritmo de swipe, e sim eliminar o swipe por completo. A ideia surgiu quando os dois perceberam que colegas universitários simplesmente não queriam mais gastar horas por semana navegando em apps tradicionais só para conseguir um encontro real.

Como funciona na prática

Nada de baixar outro app. Para usar o Ditto, o estudante manda uma mensagem pelo iMessage para um número específico, junto com um código de acesso. A partir daí, um chatbot assume a conversa e faz perguntas básicas, como nome, gênero e data de nascimento, antes de entrar em questões mais pessoais sobre personalidade, interesses e preferências de relacionamento. Alguns usuários chegam a enviar foto de celebridade que consideram seu tipo, só para dar mais contexto ao sistema.

O detalhe interessante é que o algoritmo não junta pessoas com hobbies parecidos. Ele tenta entender o que aquele hobby diz sobre a personalidade de quem pratica.

Se tem um cara que gosta de escalada, paraquedismo e esporte radical, e uma menina que gosta de hip hop, streetwear e skate, à primeira vista os hobbies não têm nada a ver. Mas lá no fundo, os dois são aventureiros e individualistas, e é aí que nasce a química.

Toda quarta-feira, às 19h, o app manda para o usuário o match da semana, já com nome, horário e local marcados. A pessoa só precisa aparecer. Depois do encontro, o Ditto coleta feedback para refinar a próxima indicação.

Números e cuidado com segurança

O app já soma 150 mil inscritos, e cerca de 20% dos matches realmente se transformam em encontro presencial. Pode parecer pouco, mas quem já usou apps de swipe tradicionais sabe que essa taxa de conversão costuma ser bem menor.

Um ponto importante: como o serviço funciona só dentro de algumas dezenas de universidades por enquanto, o cadastro exige e-mail acadêmico, o que funciona como uma camada extra de verificação de identidade. Ainda assim, expandir para fora do ambiente universitário sem perder essa segurança é o principal desafio pela frente, algo que nem apps de namoro consolidados resolveram totalmente.

Para financiar essa expansão, a startup levantou US$ 9,2 milhões em rodada seed, com investidores como Gradient, Peak XV e Scribble. Boa parte chegou por contato espontâneo, depois que o Ditto ganhou tração nas redes, incluindo uma mensagem direta do cofundador do Duolingo, Severin Hacker.

Com sede em San Francisco e apenas doze funcionários, o Ditto também está contratando um cargo peculiar: Chief Yacht Officer, responsável por organizar festas de divulgação. Marketing irreverente e vídeos virais atraem atenção, mas, como o próprio Wang resume, o que faz o usuário voltar é o encontro em si, não o vídeo.

Fonte: https://techcrunch.com/2026/08/06/gen-z-dating-apps-like-ditto-ditch-swiping-in-favor-of-ai-matchmaking/