Inteligência Artificial

Cognition negocia nova rodada a US$ 40 bilhões, dizem fontes

· por Caio Mendonça

A Cognition, dona do agente de programação Devin, já está batendo às portas de investidores para fechar uma nova rodada — e o número que circula é vertiginoso: US$ 40 bilhões de avaliação. Isso apenas três meses depois de ter levantado US$ 1 bilhão a US$ 26 bilhões, segundo fontes ouvidas pela Bloomberg.

A conta que sustenta o número

O salto de valuation não vem do vácuo. A empresa projeta atingir uma receita anualizada de US$ 1 bilhão, o que colocaria o múltiplo implícito em 40 vezes o faturamento projetado. Para comparar: gigantes consolidados de software como a Salesforce negociam hoje perto de 6 a 8 vezes receita. Startups de IA generativa vêm cobrando um prêmio que lembra a euforia das SaaS de 2021, quando múltiplos de dois dígitos eram tratados como normais antes da correção brutal que se seguiu.

Três meses atrás, quando anunciou a rodada anterior, o fundador Scott Wu confirmou à imprensa que a empresa rodava com US$ 492 milhões de receita anualizada e que o uso corporativo do Devin crescia 50% ao mês havia seis meses consecutivos. Se esse ritmo se mantiver, dobrar a receita até US$ 1 bilhão não é fantasia — mas também não é garantia.

Devin não substitui programadores, segundo Wu. A tese de venda é outra: o agente assume tarefas de manutenção que ninguém quer fazer, como atualizar sistemas legados ou migrar aplicações entre plataformas.

Entre os clientes citados pela empresa estão Mercedes-Benz, NASA e Goldman Sachs — nomes que dão peso institucional à tese, mas que também são o tipo de logo que qualquer startup de IA enterprise adora exibir para justificar múltiplo alto.

O mercado está com fome

A movimentação da Cognition não é isolada. No mesmo dia, a Lovable confirmou avaliação de US$ 13,3 bilhões e captou mais US$ 400 milhões. Dois dias antes, a River AI, com apenas dois meses de existência, levantou US$ 1,1 bilhão liderada pela General Catalyst. O capital de risco está inundando ferramentas de codificação assistida por IA num ritmo que lembra o ciclo de financiamento de unicórnios de mobilidade em 2015, quando dinheiro fácil comprava crescimento a qualquer custo.

  • Maio de 2026: Cognition levanta US$ 1 bi a US$ 26 bi
  • Agosto de 2026: negociações apontam para US$ 40 bi
  • Receita anualizada citada em maio: US$ 492 milhões
  • Meta implícita para justificar o novo valuation: US$ 1 bilhão

A pergunta de sempre nesse ciclo de IA fica em aberto: quanto desse crescimento é adoção real e recorrente, e quanto é orçamento de inovação sendo queimado por empresas testando ferramentas novas. Goldman Sachs e NASA como clientes ajudam a narrativa, mas não respondem se a receita é pegajosa o suficiente para sustentar um múltiplo de 40 vezes quando o próximo aperto monetário chegar.

Fonte: https://techcrunch.com/2026/08/12/ai-coding-startup-cognition-reportedly-already-in-talks-to-raise-at-40b-valuation/