Apple acusa OpenAI de plano organizado para roubar segredos industriais
A Apple entrou com uma ação contra a OpenAI e não poupou detalhes. São 41 páginas com mensagens internas, nomes de ex-funcionários e uma acusação central: que a startup teria organizado um esquema para sugar informação confidencial de gente que trabalhou, ou ainda trabalha, na fabricante do iPhone.
O que chama atenção não é só o conteúdo, é o tom das citações. Tem um trecho que descreve alguém descobrindo que conseguia acessar um sistema de armazenamento interno da Apple e escrevendo algo como “kkkk, descobri que consigo acessar isso, que engraçado”. Não é a frase que você espera ver citada num processo bilionário.
A acusação central: cultura, não funcionário isolado
A Apple não trata isso como caso de gente mal-intencionada agindo por conta própria. Na petição, descreve o comportamento da OpenAI como algo “normalizado e exemplificado pela liderança”. Ou seja: segundo a empresa, isso vinha de cima.
Tem também a linha que resume o tom do processo: a OpenAI estaria “podre até o núcleo” por depender de segredos que não são dela. A comparação é dura de propósito e ataca direto o hardware que a OpenAI estaria desenvolvendo, um possível concorrente do iPhone.
io, Jony Ive e a técnica de acabamento metálico
Um dos pontos mais concretos envolve a io, empresa fundada por ex-funcionários da Apple, incluindo Jony Ive, comprada pela OpenAI por 6,5 bilhões de dólares. A Apple alega que a io usou uma técnica confidencial de acabamento em metal ao convencer um parceiro industrial de que tinha autorização da Apple pra isso. O processo também cita a OpenAI usando termos internos da Apple pra fazer perguntas específicas sobre design e bateria, do tipo que só quem trabalhou lá dentro saberia fazer.
Entrevista com peça de iPhone na mochila
A parte mais estranha: candidatos que trabalhavam na Apple teriam sido orientados por Tang Yew Tan, ex-VP de design de produto da Apple e hoje diretor de hardware da OpenAI, a levar peças reais, protótipos e arquivos de CAD pra sessões de “mostra e conta” nas entrevistas. Um dos candidatos, segundo a Apple, ficou surpreso, nem sabia que dava pra tirar peça da empresa.
Tem ainda a orientação pra driblar o chamado walkout, o procedimento que remove o funcionário da empresa na hora em que ele pede demissão. Segundo a Apple, a OpenAI ensinava como evitar isso pra ganhar mais tempo de acesso a dados internos, e recomendava avisar a empresa na hora caso a Apple pedisse pra assinar algo na saída.
O que muda pra quem usa os produtos
Mais de 400 ex-funcionários da Apple hoje trabalham na OpenAI, segundo o processo. O número sozinho já mostra o quanto as duas empresas estão entrelaçadas, mesmo brigando publicamente. E a Apple deixa claro que isso é só a ponta do problema: alega que a fase de descoberta vai revelar algo “muitas vezes maior” do que os exemplos já citados.
Na prática, isso não muda nada no seu iPhone ou no ChatGPT hoje. Mas se a OpenAI está mesmo construindo hardware próprio com base em técnica que não é dela, isso pode travar o lançamento do produto, ou pelo menos atrasar bastante enquanto a Justiça decide. Vale acompanhar o que sai da fase de descoberta.