Inteligência Artificial

Meta larga a régua do uso de IA, mas empurra novo agente Hatch

· por Rafa Tanaka

INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

A Meta acabou de dar uma pausa numa corrida interna que virou piada (e motivo de processo) por lá: a tal da tokenmaxxing, quando funcionários eram cobrados por quanto usavam ferramentas de IA no dia a dia. Segundo comunicado interno visto por três fontes da Wired, as avaliações de desempenho não vão mais depender de quantos tokens cada pessoa consumiu com chatbots e agentes.

Pra quem não acompanhou: desde o final de 2025 a empresa avaliava o time pelo chamado impacto guiado por IA, o que na prática significava medir uso de chatbot. Isso gerou rótulos internos tipo AI Native, AI First e AI Enabled, e virou até tema de um processo aberto em julho por cerca de vinte funcionários que alegam ter sido demitidos de forma discriminatória em maio, incluindo quem estava de licença e não tinha como acumular esse tipo de uso. A Meta nega as acusações.

A nova diretriz troca aquele critério de uso de IA por uma linguagem mais aberta: resultados podem vir apoiados por IA ou por outros meios. Ou seja, o que importa agora é entregar, não o caminho que você usou pra chegar lá. Um porta-voz da empresa reforçou à Wired que a avaliação sempre foi sobre contribuição, e que rótulos como AI Native nunca contaram oficialmente pra nota. Só que documentos internos e reportagens anteriores mostram outra realidade: chegou a existir um ranking informal apelidado de Token Legend, que foi derrubado depois que os detalhes vazaram.

E o Hatch entra em cena

Enquanto isso, a pressão não desapareceu, ela só trocou de endereço. A Meta está incentivando (sem obrigar, por enquanto) o uso do Hatch, um agente que executa tarefas sozinho no computador, navega na web e opera outros apps. É parecido com o OpenClaw, que já tinha virado sensação por aí. Funcionários testam a ferramenta em dispositivos corporativos há semanas, antes de um lançamento público esperado.

Alguns times relatam usar o Hatch até pra marcar compromisso e organizar a rotina fora do expediente.

Nem todo mundo topou de primeira. Parte do time evita conectar o Hatch a e-mail e agenda pessoal por medo de vazamento de dados ou de o agente bagunçar algo importante. Faz sentido: a Meta já rodou um programa que monitorava teclas digitadas em máquinas de trabalho pra treinar modelos, projeto pausado depois de uma brecha de segurança. Isso deixou cicatriz na confiança do pessoal.

No fim das contas, tirar a cobrança formal de uso pode ajudar a reconstruir esse clima. E, curiosamente, o consumo de tokens continua subindo, só que agora puxado pela curiosidade de testar o Hatch, não pela obrigação de bater meta.

Fonte: https://www.wired.com/story/meta-pushes-its-new-ai-agent-on-employees-but-eases-off-on-tokenmaxxing/