Meio bilhão de dólares. Foi esse o cheque, em dinheiro e ações, que a Palo Alto Networks assinou para levar a Console, startup de dois anos que ensina agentes de IA a resolver chamados de TI sem envolver humanos. O anúncio oficial saiu na terça, mas o valor só veio à tona por fontes próximas à negociação — empresa e compradora preferiram não confirmar números.
Para quem apostou na Console lá no início, a conta fecha bonito. A startup levantou US$29 milhões em duas rodadas: um seed de US$6,2 milhões liderado pela Thrive Capital em 2025 e uma Series A de US$23 milhões com Thrive e DST Global dividindo a liderança. Pelo PitchBook, o valuation pré-venda estava em US$157 milhões. Fazendo a matemática, quem entrou lá atrás sai com um múltiplo perto de 17 vezes o capital investido — e um dos anjos da rodada era ninguém menos que Nikesh Arora, CEO da própria Palo Alto Networks.
De ferramenta de suporte a peça do tabuleiro de segurança
A Console nasceu automatizando o óbvio: reset de senha, liberação de acesso a Figma e Miro, suporte de primeiro nível que ninguém quer atender. Clientes como Ramp, Flock Safety e Scale AI usavam a plataforma para isso. Agora essa camada de mão de obra digital vai ser encaixada dentro do Cortex, a plataforma de detecção e resposta a ameaças da companhia — a promessa é dar ao produto capacidade de investigar e resolver alertas em linguagem natural, sem esperar um analista clicar em nada.
O fundador, Andrei Serban, já tinha vendido antes: a Fuzzbuzz, plataforma de segurança de código, foi engolida pela Rippling. A Console é o segundo troféu dele em pouco tempo.
Quem sobra no tabuleiro
Com a Console fora do jogo, o mercado de automação de service desk fica mais concentrado. A concorrente direta era a Serval, que também nasceu como suporte técnico via IA e expandiu para RH, jurídico e financeiro. A Serval levantou uma Series B de US$75 milhões liderada pela Sequoia em dezembro e chegou a valuation de US$1 bilhão — seis vezes o número que a Console tinha no papel antes da venda. Um investidor sem posição na Serval resumiu à TechCrunch: ela agora é a favorita isolada entre as startups que ainda tentam desafiar a ServiceNow.
Para a Palo Alto Networks, isso é rotina. A Console é a sétima aquisição do ano, segundo o PitchBook, numa lista que inclui a Chronosphere, plataforma de observabilidade apoiada por Greylock e Lux Capital, comprada por US$3,35 bilhões, e a Koi, startup de cibersegurança apoiada por Battery e Team8, por US$400 milhões.
O padrão é claro: comprar rápido, comprar caro, e deixar o mercado de capital de risco decidir depois se o preço fez sentido.