A OpenAI tem o modelo mais capaz do mercado, um app de coding que ganhou cerca de 15 milhões de assinantes em dois meses e um pedido de abertura de capital já protocolado. Então por que mais de uma dúzia de executivos pulou fora desde janeiro?
A lista é longa: o braço-direito de Sam Altman, o COO, um chief revenue officer, a chief marketing officer e vários líderes de equipe. Semana passada saiu Chris Malone, chefe de data centers, que tinha entrado em março de 2025. Alguns partiram por saúde, outros por reorganização — Altman cortando ‘projetos paralelos’ caros para focar no que gera receita.
Rebaixamento disfarçado de reorg
A saída de Malone chama atenção porque compute é justamente a vantagem da OpenAI sobre Anthropic e SpaceX. A empresa diz que ele saiu após reorg do time de infraestrutura, agora sob o VP Sachin Katti. Antes, Malone respondia direto ao presidente Greg Brockman. Tradução: executivo sênior desce vários degraus, executivo sênior vai embora. Não é mistério.
O padrão real é outro. Brockman está reafirmando poder. Cofundador, perdeu funções de gestão em 2019 quando Altman virou CEO, e depois — segundo o livro Empire of AI, de Karen Hao — semeou rivalidades internas que ajudaram a disparar o ‘Blip’ de 2023, quando o board brevemente demitiu Altman. Tirou um sabático em 2024 e voltou. Hoje infraestrutura e produto respondem a ele.
Gosto de dizer que todo mundo responde ao Greg no fim do dia.
A frase é de Thibault Sottiaux, chefe de API e apps. Diz tudo.
O IPO paira sobre tudo
Em junho a OpenAI protocolou o filing confidencial na SEC. Abrir capital seria oxigênio para um laboratório faminto por capital — mas obriga a mostrar os números perto da estreia da rival Anthropic, que reportadamente já dá lucro. A OpenAI, ao contrário, vê perdas crescerem junto com a receita.
Os prazos expõem o desconforto:
- IPO da OpenAI só esperado para 2027
- Empresa média que protocola confidencialmente estreia em cerca de cinco meses
- SpaceX levou menos de dois
Altman fala em ’12 meses ruins’ e reorg interna. Bate com a leitura de que a empresa se adiantou no filing e agora corta gordura para faturar mais e carregar menos peso morto.
Existe um ciclo clássico: fundadores brilhantes criam o produto, trazem um CEO tarimbado para escalar e preparar o IPO. Foi o que vimos com Fidji Simo e Kevin Weil — ambos já fora. Agora o roteiro se repete com Brockman em ascensão. Antes da OpenAI, ele estruturou o negócio da Stripe. Precisa preencher o vácuo de liderança e enxugar custos antes de abrir capital. Sua influência sobe na hora exata.
Fonte: https://techcrunch.com/2026/08/26/how-do-we-explain-openais-executive-exodus/