Dez anos no topo, e agora o pátio mais movimentado do planeta vai baixar o volume. A SpaceX confirmou pela boca de Kiko Dontchev, VP de lançamentos, que corta drasticamente a frequência de voos na Flórida até o Starship entrar em cena. Tradução de mercado: capacidade ociosa proposital enquanto a aposta grande não amadurece.
Os números não mentem
Em 2025, foram 165 voos do Falcon 9 — perto de três por semana, sendo 75% deles carregando satélites Starlink. A partir de agora, a Costa Espacial cai de oito ou nove missões mensais para cerca de duas. Ironia histórica: dois voos por mês já foi o padrão. A última vez que a Flórida não liderou o ranking global de lançamentos foi em 2015.
O foguete de terça de madrugada marcou o 37º voo de um mesmo primeiro estágio — recorde da própria casa. Também foi a última missão Starlink saindo de Cabo Canaveral por tempo indeterminado. Daqui pra frente, Starlink da Flórida só voa no Starship. Vandenberg, na Califórnia, assume a régua operacional do dia a dia.
Quem paga a conta da transição
A aritmética competitiva é o que interessa. Foram cerca de 260 missões Starlink lançadas da Flórida no Falcon 9. Agora, todo Falcon 9 e Falcon Heavy daquele lado carregam carga de cliente, não mais frota própria. Próximos da fila: Falcon Heavy com o telescópio Nancy Grace Roman da NASA em 30 de agosto, e um Falcon 9 tripulado para a ISS em meados de setembro.
Vocês tornaram o Falcon 9 o veículo de lançamento mais confiável da história — Dontchev, no X.
O plano é aposentar o Falcon 9 em favor do Starship nas missões comerciais. Aí mora o risco: clientes já demonstram nervosismo com a oferta de serviços confiáveis depois de 2028. Gargalo de lançamento à vista, e a SpaceX aposta que o Starship chega a tempo.
O cronograma que ninguém compra
Oficialmente, o Starship voa do Launch Complex 39A até o fim de 2026. Improvável. Falta obra no sítio e não há sinal de Starships saindo da fábrica no Texas rumo à Flórida. Estreia em meados de 2027 é a leitura realista.
A recompensa justifica a paciência: o Starship comporta até 60 satélites Starlink V3 — maiores, mais pesados e mais potentes que os V2 do Falcon 9. O Voo 14 deve estrear os V3 a partir da Starbase, no Texas. Aposta cara, retorno prometido em escala. Mercado espera para ver se o runway aguenta.