Inteligência Artificial

Deepfakes de IA agora miram professores nas escolas

· por Rafa Tanaka

INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

Testei muita ferramenta de IA que gera imagem em segundos. Legal quando vira meme. Assustador quando alguém usa pra te transformar em alvo. É o que quatro professores contaram à WIRED: alunos criaram deepfakes sexuais deles, provavelmente com IA.

Começou pequeno pro Luis DeSantiago, professor substituto em Los Banos, Califórnia. Dia 12 de março, trabalhando no segundo emprego numa cafeteria, o celular acendeu. Colega avisou: foto de IA circulando nas redes. Prima dela queria saber se era ele.

No início ele não se preocupou. Achou que conteúdo impróprio violava as regras do TikTok e sairia rápido. Aí viu a imagem.

Foi um soco no estômago quando finalmente vi.

Parte lembrava uma selfie de espelho que ele tirou anos atrás. Mas o uniforme de trabalho virou lingerie. E a pose, sugestiva.

O rastro que atravessou duas escolas

DeSantiago começou a juntar as pontas. Uma conta que compartilhou a imagem usava nome real no perfil: aluno que ele conhecia da escola onde substituía. Ele suspeitou de mais dois, baseado em quem seguia e interagia com a conta. E ele estava escalado pra trabalhar lá no dia seguinte.

Reportou ao vice-diretor, que prometeu resolver. À noite, procurando o próprio nome no TikTok, achou outra conta falsa se passando por ele: nome dele com erro de digitação, mesma foto de perfil.

Nas semanas seguintes, foi um vai e vem entre administração, pais dos alunos e polícia.

Se não têm medo de gerar e postar essas imagens de mim, me preocupa o que podem estar circulando em privado.

Um aluno admitiu ter criado a imagem e levou suspensão interna. Mas a imagem continuou se espalhando — Snapchat, mais alunos postando, comentários sexuais na conta dele. DeSantiago pegou vaga no ensino médio local, e o problema seguiu junto: recebeu a mesma imagem por AirDrop numa aula.

Lei existe, proteção real nem sempre

Nos EUA, espalhar imagem íntima falsa de adulto sem consentimento pode virar caso de cyberstalking e violar o Take It Down Act — lei federal que criminaliza publicar conteúdo íntimo não consensual, real ou gerado por computador.

Na maioria dos casos ouvidos, os professores nem reportaram às plataformas. A Snap disse ter processos estabelecidos e regras contra assédio e conteúdo sexual manipulado. O TikTok não comentou.

Donna Ballman, advogada trabalhista aposentada, diz que aluno criando imagem sexual de professor é caso claro de assédio no ambiente de trabalho — e que empregadores têm obrigação legal de manter esse ambiente livre disso.

Minha leitura: a tecnologia barateou o abuso, mas o sistema de responsabilização não acompanhou. Professor vira alvo, faz denúncia atrás de denúncia, e ainda assim a imagem se multiplica. DeSantiago provavelmente não volta ao distrito esse ano. Diz que, por ora, não se sente seguro.

Fonte: https://www.wired.com/story/teachers-deepfake-ai-students-content/