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Starcloud levanta US$ 250 milhões para data centers em órbita

· por Pedro Antunes

TECNOLOGIA

A Starcloud, que constrói satélites capazes de rodar inferência de IA em órbita, acabou de fechar uma extensão de US$ 250 milhões na sua Series A. Somado aos US$ 170 milhões levantados em março, isso coloca a empresa em US$ 2,3 bilhões de valuation. O dinheiro não é só para crescer o time: parte vai direto para garantir espaço em foguete antes que a fila fique impossível.

Isso porque o CEO Philip Johnston já pediu à FCC autorização para operar 88 mil espaçonaves. Para colocar esse volume no ar, ele está de olho na Starship da SpaceX, que ainda nem provou que consegue voar e ser reaproveitada em ritmo comercial.

Capacidade de lançamento é o novo bottleneck

O problema é de infraestrutura pura: o programa Falcon 9 está com data de aposentadoria marcada para 2028, e os concorrentes (New Glenn, da Blue Origin, e Vulcan, da ULA) ainda não voam com regularidade. O Neutron, da Rocket Lab, nem chegou na plataforma de lançamento. Ou seja: quem depende de foguete para escalar está reservando slot com anos de antecedência, tipo quem faz reserva de instância reservada na nuvem antes do preço subir.

Johnston resume o cenário: dá para ver o que está vindo, e vai ser preciso reservar uma quantidade enorme de lançamento. Ele quer fechar contrato com a Starship assim que puder, porque garantir capacidade de lançamento hoje é um dos maiores custos do negócio.

No curto prazo, a estratégia é mais conservadora: dois satélites da nova geração Starcloud-2, de 8 kW de capacidade computacional, vão subir em voos compartilhados em 2027 para atender clientes que incluem agências do governo americano. A empresa também estuda comprar um Falcon 9 dedicado e fechar contrato com outros provedores para não ficar na mão.

Nvidia valida o hardware em órbita

A Nvidia entrou com US$ 25 milhões na rodada, e Johnston trata isso como o sinal mais forte de validação técnica que a Starcloud recebeu até hoje. A empresa afirma ser a única a operar uma GPU H100, a mesma usada em data center terrestre, funcionando em órbita, e a primeira a treinar um modelo usando esse hardware no espaço.

Esse histórico está alimentando o desenvolvimento do Vera Rubin Space-1, primeiro chip da Nvidia desenhado especificamente para uso espacial. O componente ainda nem existe fisicamente, mas a meta é voar até o fim de 2028. Os desafios de engenharia são bem concretos: relação entre temperatura de operação do chip e tamanho do radiador para dissipar calor, posicionamento de blindagem contra radiação e o quanto o hardware precisa ser reforçado para sobreviver à vibração do lançamento.

O risco fica na dependência de terceiros

A Starcloud, hoje com 25 funcionários e uma planta de 100 mil pés quadrados em Woodinville, no estado de Washington, está construindo todo o modelo de negócio apostando que a Starship vai baratear lançamento o suficiente para competir com data center terrestre. É uma aposta de infraestrutura inteira em cima do cronograma de outra empresa. Se a SpaceX não conseguir reservar capacidade de lançamento até 2029, nas palavras do próprio Johnston, o plano trava.

Fonte: https://techcrunch.com/2026/08/21/starcloud-raises-200-million-for-orbital-data-centers-as-launch-options-dry-up/