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NASA cancela resgate do Swift após satélite de US$ 30 milhões falhar

· por Caio Mendonça

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A conta não fechou. A NASA e a startup Katalyst Space Technologies anunciaram que desistiram de resgatar o observatório de raios gama Swift antes que ele despenque de órbita. O motivo oficial é técnico — falhas de controle de atitude no satélite salvador. O motivo real, para quem acompanha capital de risco espacial, é que apostar em prazo curto sai caro.

O contrato valia US$ 30 milhões, assinado há menos de um ano. Para esse valor, a Katalyst tinha que projetar, construir e lançar uma espaçonave inédita chamada Link, do tamanho de uma geladeira, com braços robóticos e três propulsores elétricos a xenônio. Prazo: nove meses. No setor espacial, ciclos assim normalmente levam anos. A NASA comprimiu o cronograma porque o Swift, com quase 22 anos de operação, estava correndo contra a atmosfera.

Onde a engenharia cedeu

O Link decolou em 3 de julho e passou as primeiras semanas em órbita sem sobressaltos. No fim de julho, o quadro virou: duas das três rodas de reação pararam de funcionar, e os propulsores de gás frio, usados para apontamento fino, também apresentaram problemas. Sobrou só o conjunto de propulsores de plasma de baixo impulso para tentar recuperar a orientação da nave enquanto ela cruzava a órbita baixa a quase 8 km/s. Não foi suficiente para completar a captura do Swift com os braços robóticos.

A Katalyst mantém a espaçonave viva e tenta extrair valor residual da missão, incluindo uma possível demonstração do sistema de navegação de proximidade perto do próprio Swift.

“Katalyst projetou, desenvolveu e lançou uma espaçonave experimental para uma missão ambiciosa em um cronograma agressivo”, disse a CEO Ghonhee Lee. “Assumimos esse desafio de alto risco e alta recompensa e já aprendemos muito.”

O prêmio de risco que a NASA aceitou pagar

O administrador Jared Isaacman classificou a aposta como coerente: risco calculado quando o retorno potencial compensa. Bonito discurso, mas o resultado prático é um observatório de referência em explosões de raios gama sendo entregue à reentrada atmosférica ainda este ano.

O episódio serve de estudo de caso para o mercado nascente de manutenção orbital, onde nomes como Astroscale e Northrop Grumman também disputam contratos de captura e reabastecimento de satélites. A lição que fica não é tecnológica, é de precificação de risco: comprimir o cronograma de anos para meses reduz custo de capital no papel, mas eleva a probabilidade de falha justamente na etapa mais crítica, o controle de atitude.

  • Contrato: US$ 30 milhões, assinado há menos de um ano
  • Prazo de desenvolvimento: nove meses, contra os habituais anos do setor
  • Falha: duas de três rodas de reação e propulsores de gás frio comprometidos
  • Desfecho: Swift deve reentrar na atmosfera ainda em 2026

A Katalyst promete transformar a tentativa em um “playbook repetível” para futuras operações de proximidade. Bonito para o próximo pitch deck. Para o Swift, o placar já está fechado.

Fonte: https://arstechnica.com/space/2026/08/nasa-calls-off-mission-to-rescue-swift-gamma-ray-observatory/